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A grande revolução na gestão da Saúde é combinar tecnologia, processos e pessoas

Por Adriele Marchesini

Modelo de comprar tecnologia e acreditar que isso se reflete naturalmente em ganhos de gestão esgotou

Por Roberto Gordilho

De nada adianta investir em tecnologia se não há capacitação e engajamento da equipe. Foto: Pixabay

A tecnologia está transformando os mais diversos setores da economia, em todos os lugares do mundo, inclusive no Brasil. Por aqui, o mercado está se adaptando a essa nova realidade e as empresas entendem que essa transformação se estende além da aquisição de hardware e software, impactando na forma como as pessoas se comportam e interagem. É uma mudança de modelo, muito mais que ganhos de eficiência, é repensar o modelo de operação à luz de inteligência artificial, internet das coisas, impressão 3D, realidade virtual e tantas outras tecnologias disruptivas que já fazem parte de nossa realidade. Os hospitais brasileiros, no entanto, ainda estão na fase inicial dessa percepção, muitos sequer conseguiram transformar os investimentos em ganhos de eficiência. Mas eles não podem mais esperar que a avalanche enterre os menos preparados. É preciso notar que essa nova fase da revolução tecnológica vai causar uma grande metamorfose na Saúde – especialmente nos hospitais.

O movimento deve partir de dentro das organizações, mas o centro é o cliente, é uma mudança de eixo. Se apenas investir em tecnologia gerasse melhorias de gestão, os hospitais brasileiros estariam entre os mais bem geridos e mais rentáveis do mundo. O amadurecimento acontece quando se nota que não basta investir apenas na compra de tecnologias de gestão. É preciso repensar o modelo, adequar os processos, engajar e capacitar os colaboradores. De nada adianta ter em mãos os recursos mais avançados se quem vai operá-los pouco conhece de suas funcionalidades e possibilidades – e, mais que isso, dos impactos que essas inovações trazem para os resultados, tanto do ponto de vista do paciente quanto financeiros. Sem esse entendimento, as ferramentas digitais são vistas pelos colaboradores mais como um empecilho para a execução dos processos que um facilitador.

O gestor possui um grande papel nessa mudança de modelo: apontar a direção e engajar as equipes. As organizações de Saúde necessitam de líderes capazes de direcionar, engajar e motivar. O papel da gestão nas pessoas é comunicar e reforçar cotidianamente o caminho, propósito, missão e valores da instituição. Somente dessa forma, ou seja, apenas com o engajamento de todos a aplicação das tecnologias surtirá os efeitos esperados na assistência e no backoffice. Isso é mais do que revolução tecnológica. É uma revolução social.

A tecnologia tem de ser aliada da gestão hospitalar madura e o papel do líder é crucial para isso. Foto: Pixabay

A metamorfose no cenário da Saúde acontecerá com organizações amparadas por uma boa estratégia, bons processos, recursos tecnológicos de ponta, equipe qualificada, coesa e alinhada para entregar os resultados. É assim que o atual sistema vai evoluir definitivamente para um modelo em que a figura do paciente dará lugar ao cliente. Trata-se de uma visão muito mais ampla que tratamento e cura, uma visão realmente de promover a Saúde. O deslocamento será para um serviço de promoção e prevenção. Promover é educar. E a prevenção é o atendimento, também focado na melhoria da qualidade de vida, usufruindo para isso de toda a evolução proporcionada pelos avanços tecnológicos.

O que sempre se viu foi uma inversão do conceito real de Saúde. Muitas organizações acreditam que são entidades de Saúde quando, na verdade, ainda são instituições voltadas apenas para a doença, o tratamento e cura de patologias já estabelecidas. A metamorfose que a tecnologia irá causar é transformar hospitais efetivamente em entidades de Saúde, com grande foco na promoção e prevenção. Os pacientes, cada vez mais habituados com os avanços tecnológicos, vão deixar de entrar nos hospitais apenas vítimas de uma enfermidade qualquer. Eles vão procurar as organizações para prever e remediar possíveis males futuros. Mais que isso, os hospitais poderão se antecipar e “procurar” os clientes para prevenir e evitar o surgimento de doenças. É uma mudança completa no modelo atual. Os atuais pacientes caminharão cada vez mais para se tornar clientes.

Os hospitais precisam começar a pensar que a grande revolução não é comprar a mais nova tecnologia, mas sim, definir e executar uma estratégia em que o cliente, suas demandas e necessidades, sejam o centro. Para isso, as organizações terão de estar apoiadas por bons processos e profissionais qualificados para verdadeiramente promover a Saúde e uma melhor qualidade de vida para as pessoas, e aí sim, se não houve como evitar: tratar e curar e restabelecer a Saúde.

Vamos começar a pensar nisso agora?

Roberto Gordilho é professor, palestrante, CEO da GesSaúde, apresentador do Canal GesSaúde no Youtube e autor do livro Maturidade de Gestão Hospitalar e Transformação Digital: os caminhos para o futuro da Saúde.

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10 de julho de 2018 | Atualizado dia 9 de julho de 2018


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