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A importância do conselho de administração para o hospital

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Conselho maximiza a governança corporativa ao priorizar decisões coletivas em detrimento das individuais

por editorial GesSaúde

O conselho de administração é uma ferramenta com potencial de maximizar a governança corporativa nas organizações de Saúde, priorizando decisões coletivas em detrimento das individuais. Sua implantação tem como objetivo melhorar a qualidade das decisões estratégicas e contribuir para mitigar riscos, entre outros fatores que demonstram o nível de evolução da maturidade de gestão hospitalar. O papel do conselho é supervisionar as atividades gerenciais, sendo responsável pela estratégia da organização. É ele que dá as orientações gerais dos negócios, bem como seu parecer sobre o relatório de contas.

Para montá-lo, o coordenador adjunto do curso de medicina do campus Bela Vista da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), Fernando Teles de Arruda, destaca a necessidade de reunir profissionais que, com suas diferentes expertises e vivências práticas, sejam capazes de visualizar a instituição como um todo, a fim de buscar os melhores resultados – seja no equilíbrio das finanças, seja no atendimento direto ao paciente. Isso porque o conselho precisa estar apto a identificar e corrigir desvios de gestão em diversos níveis, como jurídicos, financeiros e de planejamento, por exemplo.

O especialista explica que o conselho não tem um número fixo de participantes, mas, em geral, é composto por diretor, tesoureiro, seus respectivos vices e provedores. “Os demais integrantes podem ser diretores técnicos, clínicos, administrativos e até mesmo pessoas de fora da organização, mas que possuem conhecimento sobre o tema”, destaca, lembrando que, no caso de hospitais filantrópicos, muitos empresários de outros setores têm por hábito integrar o conselho administrativo, já que auxiliam na captação de verbas para a instituição.

As decisões sobre como será formado o conselho e com que frequência serão as reuniões dependem de cada hospital. O que não pode variar é o fato de que os conselheiros têm responsabilidade para com o negócio e não para com quem os indicou, ou seja, sem influências pessoais ou profissionais. Por isso, Arruda destaca a importância da formação específica do profissional que ocupará os cargos, como parte de uma governança corporativa madura. “Cada um precisa conhecer a área que assumirá, de forma a tomar as melhores decisões em relação a ela. Se for tesoureiro, precisa conhecer finanças. Se for diretor administrativo, precisa ter conhecimento em administração.”

Isso é necessário, conforme Arruda, pela necessidade de profissionalização da gestão hospitalar. “A Saúde é um dos setores onde esse movimento começou tardiamente, há cerca de dez, 15 anos. Por isso, é preciso correr atrás do tempo perdido. Atualmente, a superintendência de um hospital, por exemplo, não pode mais ser ocupada pelo médico mais antigo e prestigiado da organização, mas sim por um profissional, médico ou não, que tem formação, conhecimento e experiência em gestão”, garante.

Remuneração

Uma crítica do especialista é o fato de que muitos conselhos administrativos ainda não efetuam a remuneração de seus integrantes, o que dificulta a profissionalização da gestão hospitalar. “Sem a remuneração, o conselheiro pode encarar a prestação do serviço como um favor, algo para ser feito nas horas vagas. Não se trata de um trabalho com dedicação exclusiva, mas o pagamento demonstra a importância que a governança corporativa tem para aquela instituição.”

Segundo Arruda, a remuneração dos conselheiros vem ganhando espaço nos hospitais privados, e os filantrópicos ainda precisam evoluir nesse quesito. “Embora não visem o lucro, os filantrópicos também devem profissionalizar a gestão para alcançar resultados, com risco de ficar para trás no mercado cada vez mais competitivo da Saúde.”

Também é necessário, conforme o especialista, avaliar as atividades do conselho por meio de avaliações periódicas de desempenho. Dessa forma, é possível saber como cada conselheiro contribui para os resultados do hospital e do próprio conselho.

Poder de decisão

Diferentemente de empresas de outros setores, o especialista destaca que, na Saúde, 90% das decisões estratégicas referentes ao hospital são tomadas pelo conselho administrativo. “É difícil que um superintendente passe por cima das considerações do conselho, como ocorre em outras áreas, exatamente pela visão integral que os conselheiros garantem por meio da união de seus conhecimentos em prol da instituição”, explica Arruda.

Com a maturidade de gestão hospitalar, o conselho ganha autonomia para a tomada de decisão, inclusive se essa decisão for pela troca do superintendente, por exemplo. Essa liberdade de atuação auxilia no desenvolvimento econômico sustentável do hospital, melhorando o seu desempenho e facilitando o acesso a recursos.  

Saiba mais:

Como detectar sinais de uma governança corporativa falha na Saúde

Os 5 níveis de maturidade da governança corporativa

O papel do gestor hospitalar em um contexto de governança corporativa

Foto: Freepik


1 de agosto de 2017 | Atualizado dia 16 de outubro de 2018


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