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Até quando os pequenos e médios hospitais vão acreditar que a Saúde não está mudando?

Por Adriele Marchesini

Dificuldades internas impedem organizações de enxergar a transformação do setor, mas reverter esse quadro é possível – e urgente

por Roberto Gordilho

Os pequenos e médios hospitais, em especial os filantrópicos e as Santa Casas, são responsáveis por, em média, 60% dos atendimentos de Saúde do Brasil. Basta sair dos grandes centros urbanos para ver como a população é dependente desse tipo de serviço, prestado, na maioria das vezes, via Sistema Único de Saúde (SUS).

Com tanta responsabilidade em mãos, essas instituições lidam com diversas dificuldades. A principal é o endividamento – que ameaça, inclusive, a continuidade da assistência. É uma luta diária para não fechar as portas. Muitas das que se mantêm abertas têm problemas até mesmo para encontrar profissionais, que não querem atuar fora das capitais, por salários, em geral, menores e com infraestrutura mais simples. Diante desse cotidiano desafiador, fica difícil direcionar o olhar para fora e ver como o sistema de Saúde está mudando – e em alta velocidade.

Uma das dificuldades dos pequenos e médios hospitais em sair desse cenário é que os  gestores e provedores são, na maior parte, pessoas da comunidade. Em geral, elas têm boa vontade, mas pouco conhecimento de gestão. O mesmo ocorre quando a administração fica nas mãos dos médicos – que priorizam o atendimento e acabam deixando a gestão em segundo plano.

A pergunta que fica é: é possível evoluir se estou mergulhado em dificuldades?

Sim, é possível. Essas instituições precisam iniciar um movimento de profissionalização da gestão, que traga uma proposta inovadora. Não adianta continuar atuando  da mesma forma e esperar resultados diferentes. E nem pensar que a tecnologia vai resolver todos os problemas. Caso contrário, corre-se o risco de investir em sistemas modernos que não vão dar resultado. É preciso um trabalho completo: avançar com os  processos e tecnologias, mas sem deixar de lado as pessoas, a estratégia e a governança. Um separado do outro não funciona.

Para chegar lá, os hospitais devem seguir seis passos:

1 – Definir uma estratégia clara para superar a crise, com a análise e entendimento dos  cenários internos e externos, e a criação de um plano com metas e prazos;

2- Entender que hospital não é um conjunto de departamentos, como se fossem caixinhas separadas, mas, sim, de processos que percorrem dois caminhos: o do paciente e o do dinheiro. Ambos devem ser tratados de forma holística e integral para garantir a fluidez e a qualidade dos resultados;

3- Criar um padrão de processos que priorize a eficiência e o resultado, tanto para o paciente quanto para a instituição;

4- Mudar o modelo mental dos profissionais para que passem a ter essa visão sistêmica do hospital e dos processos;

5- Criar um modelo de governança corporativa que permita acompanhar a operação e a gestão da instituição;

6- Entender que a tecnologia é o catalisador de tudo isso – serve como um meio que irá proporcionar que todos os outros elementos trabalhem de forma harmônica.

Além desses passos, deixo também o convite para conhecer o Programa de Aceleração da Maturidade de Gestão da Saúde (PROAMA), que auxilia a  promover essa mudança interna tão necessária para encarar os desafios externos que já estão acontecendo e os que ainda estão por vir.

Roberto Gordilho é professor, palestrante, CEO da GesSaúde, apresentador do Canal GesSaúde no Youtube e autor do livro Maturidade de Gestão Hospitalar e Transformação Digital: os caminhos para o futuro da Saúde.

 

 

Saiba mais:

Desafios da Saúde: o hospital como prestador de serviços

Desafios da Saúde: transformação digital não acontece sem maturidade de gestão

Desafios da Saúde: a adoção de novos modelos de remuneração

Foto: Depositphotos


26 de junho de 2018 | Atualizado dia 25 de junho de 2018


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