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Atenção Primária à Saúde: por que ela é cada vez mais necessária

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Modelo utilizado pelo SUS começa a chegar à Saúde Suplementar; entenda como o hospital deve se adaptar à mudança

por editorial GesSaúde

A Atenção Primária à Saúde (APS) é definida internacionalmente como uma estratégia voltada para responder de forma regionalizada, contínua e sistematizada à maior parte das necessidades de uma população, integrando ações preventivas e curativas, além da atenção a indivíduos e comunidades. No Brasil, o conceito é amplamente utilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente por meio da estratégia do Programa Saúde da Família (PSF) – que atende em torno de 65% da população. O modelo já começa a ser adotado também na Saúde Suplementar, e entre os principais motivos para tal está a redução de custo. Porém, a atenção primária pode trazer muitos outros resultados às organizações, incluindo aí os hospitais – e o principal deles é a melhoria da qualidade de vida da população.

O princípio da atenção primária é atender as necessidades de saúde populacionais preferencialmente no nível de atenção básico. Os serviços de média e alta complexidade só são acessados quando não é possível solucionar o caso com o conhecimento de um médico generalista. Dessa forma, tem-se maior controle sobre o estado de saúde de cada paciente de forma individualizada, possibilitando a prática da medicina preventiva para evitar agravos que o levem para os outros níveis de atenção.

Com a expansão do conceito, será possível construir um novo sistema de Saúde, com foco na qualidade de vida e na prevenção, não mais exclusivamente na doença. Apesar de deixar de ser hospitalocêntrico, esse modelo terá o hospital como um dos principais eixos de assistência, em especial na média e alta complexidade.

Para enfrentar essa nova era, o hospital terá que se tornar uma unidade integradora, não mais uma unidade que é parte de um ecossistema fragmentado. Sua estratégia deverá ser alongada para atender o paciente, em especial o crônico, também na esfera pré-hospitalar cuidando para que ele não se transforme em um paciente agudo e ocorram múltiplas reinternações. O hospital terá que fazer parte de uma rede de atenção pré e pós-hospitalar, na qual só será acionado em situações críticas. A estratégia terá que ser de ampliar a atividade hospitalar de forma horizontalizada.

Como se preparar

Para se preparar para esse novo cenário, é fundamental que o hospital adote políticas que elevem a sua maturidade de gestão para poder enfrentar os desafios de criar novos serviços e trabalhar sob outro paradigma. O paciente deve ser o centro do negócio e a atuação será feita em rede com os demais agentes da Saúde, como operadoras, clínicas, laboratórios e centros de medicina diagnóstica.

Nesse sentido, informação é poder, e a tecnologia terá o papel fundamental de aglutinar dados que ajudarão a traçar as políticas preventivas do modelo de APS. Assim como o hospital, seus sistemas e ferramentas deverão estar integrados com os demais players do setor, com troca de informações em tempo real.

Para que tudo isso funcione, será preciso ainda mudar a mentalidade do hospital, incluindo gestores e profissionais, de forma a atuar dentro desse novo modelo onde a qualidade de vida do indivíduo é o principal objetivo. Direcionar estratégia, pessoas e processos para esse fim será o diferencial das organizações de Saúde em um futuro muito próximo.

Saiba mais:

Estratégias de gestão de saúde populacional para hospitais

Gerenciamento de processos hospitalares: uma visão horizontal

Design Thinking na gestão de Saúde

 


18 de setembro de 2018 | Atualizado dia 16 de outubro de 2018


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