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Atribuição dos médicos na gestão de Saúde

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Maximizar a eficiência dos médicos em cargos de gestão são necessárias habilidades e competências diferentes daquelas que desenvolveram durante sua formação acadêmica e carreira clínica

Por André Farias

Atualmente vivenciamos uma transformação sem precedentes no segmento de assistência à Saúde. Houve um rápido crescimento de empregos na área de gestão e o surgimento de um grande número de startups. Existem novos tipos de empresas na área de Saúde, novas formas de organização e diversas inovações. Todas elas têm em comum a meta de gerar valor, melhorar a experiência do cliente e a assistência à Saúde, sobretudo por meio do uso de novas tecnologias. Neste contexto, os médicos estão sendo convocados para liderar esses novos empreendimentos e estão assumindo um alto nível de influência na assistência médica como jamais fizeram.

No entanto, para maximizar a eficiência dos médicos nesses novos cargos são necessárias habilidades e competências diferentes daquelas que desenvolveram durante sua formação acadêmica e carreira clínica. Entre elas, três habilidades são críticas para o sucesso de médicos na função de gestor, desenvolvendo a maturidade de gestão:

  • Gestão de operações e execução

Muitos médicos são excelentes em gestão de operações porque esta habilidade requer o mesmo tipo de detalhamento e complexidade necessários para gerir eficientemente um grande número de clientes. No trabalho clínico, os médicos precisam constantemente triar usuários e examinar quantidades significativas de detalhes de menor ou maior importância. Muitos clínicos administram pequenas operações em seu próprio consultório ou ala hospitalar antes de começar a liderar operações maiores.

Contudo, muitos profissionais de Saúde enfrentam dificuldades em gerenciar operações porque não conseguem separar convenientemente tarefas urgentes e importantes de tarefas não tão urgentes, geralmente confundindo as prioridades. Exatamente como um médico recém-formado precisa aprender a administrar seus próprios fluxos de trabalho e desenvolver um plano de ação para administrar os problemas de clientes, um novo executivo clínico também precisa aprender a agir com urgência e propriedade para criar os fluxos de trabalho e resolver os problemas da organização. Gestores clínicos devem reconhecer essa potencial distância de perspectivas e trabalhar ativamente para garantir que as tarefas sejam adequadamente triadas por nível de prioridade.

  • Liderança de pessoas

Quando assumem a administração ou posição de liderança, muitos clínicos nunca passaram antes pela experiência de contratar ou despedir alguém. Instintos indispensáveis para decidir quem e como contratar, e para administrar o desempenho de outros geralmente são pouco desenvolvidos em líderes clínicos. Muitos profissionais de Saúde, por exemplo, são gentis e compassivos por natureza e por treinamento. Embora essas qualidades ajudem a gerar fidelidade, elas costumam tornar difíceis as conversas associadas à gestão de pessoas particularmente desafiadoras, sobretudo em casos de feedback negativo.

Para acelerar o desenvolvimento desta habilidade, executivos clínicos devem manter estreito relacionamento com líderes empresariais e profissionais de RH. Esses colegas podem ser um instrumento útil para ajudá-los a evidenciar suas fragilidades e a identificar táticas para criar e supervisionar equipes de alto desempenho. Esses colegas podem servir também como consultores quando tais executivos precisarem tomar decisões complexas e enfrentar inevitáveis conversas difíceis.

  • Definição de estratégias

Muitos líderes da área de Saúde são conduzidos a funções nas quais precisam trabalhar ativamente para definir estruturas e estratégias organizacionais. Embora funções estratégicas geralmente utilizem as potencialidades e profundo conhecimento inovador dos médicos, executivos com formação clínica, muitas vezes, esquecem que criar uma estratégia envolve fazer concessões. A decisão de prosseguir com um conjunto de atividades também é uma decisão de não prosseguir com outras tarefas. Estratégia é tanto o que decidimos fazer, como o que decidimos não fazer. Para desenvolver estratégias organizacionais, os médicos precisam trabalhar com essa máxima simples e importante em mente.

Portanto, os médicos correm o risco de perder sua identidade clínica ao se tornarem gestores. Contudo, não é interessante que a percam. Ao fazer a transição para carreiras como executivos de Saúde, precisam se manter fiéis à prática da medicina e, ao mesmo tempo, continuar a desenvolver habilidades administrativas cruciais, que são necessárias para liderar e conduzir eficientemente suas organizações, na busca contínua pela maturidade de gestão. Desta maneira, com a contribuição valiosa desses profissionais e as suas robustas bagagens de conhecimento e expertise, a assistência à Saúde terá uma melhora significativa em sua qualidade, com foco na excelência na prestação de cuidados.

André Farias é médico com experiência em Gestão de Saúde, Consultor da GesSaúde, Co-fundador e CTO da FSL Governance, Mestre em Gestão de Tecnologias e Inovação em Saúde, possui MBA em Gestão Hospitalar e Especialização em Gestão de Saúde Pública.

Saiba mais:

Gestão da fila de serviços de Saúde

Gestão da qualidade e segurança dos clientes

A importância do engajamento do paciente para aumentar a eficácia do sistema


20 de dezembro de 2018 | Atualizado dia 17 de dezembro de 2018


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