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Avanço da tecnologia exige adaptação dos profissionais de Saúde

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Anestesista, assistente jurídico e contador são profissões que serão extintas nos próximos anos, aponta especialista

Por editorial GesSaúde

O desenvolvimento da tecnologia na Saúde está revolucionando a assistência e a gestão e, por isso mesmo, exige a adaptação dos profissionais para que não sejam “engolidos” pelas mudanças. Um exemplo de profissão que corre o risco de desaparecer, segundo o especialista em inovação e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Arthur Igreja, é a de anestesista, já que ele poderá ser substituído por robôs – que trarão mais segurança ao paciente. Outras profissões ligadas diretamente à assistência, como o radiologista, e também ao backoffice, como o analista de contas médicas, recrutadores e assistentes jurídicos também sofrerão profundas mudanças.

Em um prazo de cinco a 15 anos, várias posições que hoje são consideradas essencias nas organizações de Saúde vão desaparecer, conforme as previsões de Igreja. “Profissões que são muito repetitivas tendem a ser substituídas por softwares. E as que são, por natureza, muito humanas, como serviços de cuidadores e de atendimento direto ao paciente, como enfermagem, tendem a ter seus salários pressionados para baixo em razão da robotização”, destaca o especialista, que também é Masters em International Business pela Georgetown University (EUA).

Além do aspecto de desenvolvimento individual do profissional, ele destaca a importância de os gestores de organizações de Saúde estimularem essa adaptação às novas tecnologias. “Os especialistas de cada área devem estar conectados à tecnologia. Ou seja, se os robôs já realizam diagnósticos e operações, o médico deve direcionar esforços para o atendimento ao paciente, o relacionamento, o tratamento personalizado e humanizado, aspectos indispensáveis do cuidado.”

Anestesista

Conforme Igreja, até 2025 os hospitais do País terão menos anestesistas na equipe médica. “Empresas do setor de Saúde já desenvolveram robôs que aplicam anestesias em pacientes que serão submetidos a tratamentos mais simples em clínicas e hospitais. O custo por procedimento cai de US$ 2.000 para US$ 150 e um só anestesista é capaz de acompanhar múltiplos atendimentos em paralelo, caso haja intercorrências”, explicou o futurologista.

Analistas financeiros também estão na lista e terão de se adaptar à nova realidade. O especialista argumenta que profissionais capazes de avaliar as contas e as finanças de uma empresa já foram considerados indispensáveis pela sua capacidade de identificar tendências que poderiam causar impacto significativo no negócio em um piscar de olhos. “Mas analistas humanos não conseguem mais competir com softwares de análise financeira que usam inteligência artificial e que podem ler e reconhecer tendências em dados históricos para prever movimentos futuros de mercados”, disse. Caberá então ao analista humano a tarefa de traduzir e apresentar esses dados, muito mais analítica e interpretativa.

A digitalização dos processos e o uso do blockchain em organizações de Saúde vão promover mudanças em outras duas profissões: auditores e contadores. “Contadores ainda estão envolvidos com tarefas que podem ser automatizadas. Além disso, com as criptomoedas e registro de operações em blockchain, o conceito de contabilidade desaparece, visto que todas as transações são públicas e tecnicamente impossíveis de serem fraudadas. O mesmo vale para auditores”, comenta Arthur Igreja.

Na esteira das profissões que serão transformadas pela rápida evolução da tecnologia digital está ainda o cargo de assistente jurídico. “Soluções que utilizam inteligência artificial já conseguem realizar tarefas repetitivas de análise de processos e termos jurídicos com eficiência e precisão muito maiores. Mas advogados que executam atividades que dependem de interpretação e deduções subjetivas continuarão sendo cada vez mais valiosos”, explicou o especialista.

Recrutadores

Ainda conforme Igreja, até 2023 o departamento de Recursos Humanos será bastante impactado pelo uso de novas tecnologias. “A convergência entre poderosos algoritmos de inteligência artificial especialistas em traçar o ‘match’’ entre demanda e oferta vai substituir a busca curricular tradicional. Muito além do uso de filtros, esses algoritmos são capazes de avaliar fotos, vídeos, posts e e-mails de candidatos. Vivemos também a era da exposição virtual a todo momento. Muito mais que o currículo que uma pessoa envia para uma empresa, já é prática comum entrevistadores e psicólogos utilizarem essas fontes para entender o perfil do candidato. O fluxo será o mesmo, mas desta vez feito por robôs. Vale lembrar também que reviews de competências com trabalhos passados devem estar armazenados no blockchain dentro de dez anos, criando um sistema de review público”, explicou.

Para permanecer no mercado de trabalho desse novo mundo, portanto, é preciso se adaptar. Conhecimentos de gestão e familiaridade com a tecnologia são fatores que farão a diferença entre se manter ativo no mercado ou ser, de fato, substituído por uma inteligência artificial.

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4 de setembro de 2018 | Atualizado dia 16 de outubro de 2018


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