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Big data: como a tecnologia ajuda a melhorar a Saúde

Ferramenta armazena e processa dados não-estruturados, que dão origem a informações que podem gerar insights de negócios

por editorial GesSaúde

O avanço de ferramentas tecnológicas voltadas à saúde e o cuidado com a vida gera número cada vez maior de dados, sejam eles estruturados ou não. Essas informações, quando trabalhadas com inteligência e elevado nível de maturidade de gestão hospitalar, têm grande potencial para gerar insights de negócios e melhorar tanto o atendimento ao paciente quanto o resultado da instituição.

O big data é a principal ferramenta que auxilia no armazenamento e processamento de dados não-estruturados. De acordo com Celso Poderoso, coordenador do MBA em big data – data science da Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP), trata-se de um conjunto de tecnologias baseado em 3 Vs: volume (há muito mais dados não-estruturados do que estruturados), velocidade (os dados são gerados de forma extremamente rápida e precisam ser processados também com agilidade) e variedade (a variedade das fontes de dados são quase infinitas, especialmente quando consideramos o uso de IoT – Internet das Coisas). “Alguns autores consideram outros 2 Vs: valor e veracidade. Estes, porém, podem ser considerados muito mais como características ou atributos dos dados do que divisores de tecnologias”, explica.

O especialista destaca que a base do big data é o uso de dados não-estruturados gerados por equipamentos médicos (como ultrassom, tomografia computadorizada, ressonância magnética), IoT (dispositivos que podem ser acoplados a equipamentos, leitos de hospital, instalações físicas em geral, salas de cirurgia, wearables/gadgets como relógios inteligentes e dispositivos similares) e até mesmo em anotações médicas realizadas em formulários não informatizados. O coordenador comenta que o uso desses dados, somado aos dados estruturados gerados pela organização de Saúde, pode melhorar muito o processo de tomada de decisões. “Com o histórico capturado utilizando big data, é possível identificar padrões. Com base nos padrões, pode-se criar modelos matemáticos/estatísticos para prever situações, cenários e comportamentos futuros. Uma vez identificado um padrão e criado um modelo matemático, é possível melhorar o acompanhamento do paciente com o apoio ao diagnóstico médico, identificação da eficácia do tratamento, pontos em que o paciente costuma abandonar um tratamento, entre outros.”

Poderoso acredita que o big data permite abrir novas dimensões de análise que são impossíveis ao fazer uso somente da tecnologia tradicional. “Estudos indicam que cerca de 80% dos dados de uma organização não são estruturados. Devido à complexidade da operação de um hospital, arrisco dizer que esse volume é muito maior em um hospital. Portanto, o uso do big data irá permitir que muitos insights surjam dos dados não estruturados. Esses insights podem transformar a forma como administrar, tratar pacientes, otimizar o uso de equipamentos e dependências de um hospital.”

Maturidade de gestão

O especialista destaca que os dados estão disponíveis, mas, para obter melhorias por meio deles, é necessário investir na tecnologia e saber como utilizá-la. Não adianta adquirir um sistema que permita o uso de big data se os funcionários da organização de Saúde não estão engajados o suficiente para o preenchimento dos dados digitalizados que geram esse tipo de informação, por exemplo. “A tecnologia não é o impedimento, mas sim a falta de conhecimento e disposição para utilizá-la”, avalia.

O big data também pode auxiliar na organização dos dados recolhidos por dispositivos médicos e outros gadgates, tecnologias essenciais para a prática da medicina preditiva. Segundo Poderoso, esses dispositivos que utilizam a IoT como base possuem um conjunto de rotinas e padrões de programação para acesso a um aplicativo (APIs) que permitem extrair esses dados. “Com os dados em mãos é possível utilizar outras ferramentas, como a inteligência artificial ou a computação cognitiva, para identificar, catalogar e separar em bases de dados, criando os mesmos padrões e modelos matemáticos válidos para os demais dados não-estruturados gerados pelas organizações de Saúde.”

O especialista acredita que o mais importante é entender exatamente o objetivo e valor que isso agregará ao negócio do hospital, o que depende diretamente da maturidade de gestão para o uso da tecnologia. “Tendo um bom objetivo e os dados adequados, certamente os insights irão gerar valor acima do esperado inicialmente”, destaca.

Saiba mais:

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Foto: Pixabay


31 de agosto de 2017 | Atualizado dia 28 de agosto de 2017


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