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“Cenário é perverso para hospitais filantrópicos”, afirma diretor presidente da Fehosp

Em entrevista exclusiva ao Portal GesSaúde, Edson Rogatti destaca que, sem profissionalizar a gestão, organizações ficarão estagnadas

por editorial GesSaúde

Os desafios enfrentados pelo setor de Saúde, em especial a desatualização dos valores pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) às instituições que prestam serviço aos cidadãos, estão levando os hospitais filantrópicos a um cenário “perverso”. A afirmação é de Edson Rogatti, diretor presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp), em entrevista exclusiva ao Portal GesSaúde.

No bate-papo, Rogatti aborda também o fechamento de hospitais por todo o País e destaca que, sem profissionalizar a gestão, as organizações ficam estagnadas e tendem a enfrentar dificuldades ainda maiores.

A Fehosp é parceira da GesSaúde na realização de eventos com a marca Café & Gestão, que ocorrem em diversas cidades paulistas para apresentar os conceitos de maturidade de gestão hospitalar e parceria de resultados.

 

Leia a entrevista completa:

Portal GesSaúde: Como o senhor avalia o cenário atual do setor de Saúde brasileiro?

Edson Rogatti: A Saúde enfrenta hoje muitas dificuldades, que têm raízes em vários temas: a questão do subfinanciamento, as políticas públicas que ainda sofrem descontinuidade, a capacitação dos profissionais, que ainda requer grande esforço, e por aí vai. Nossos hospitais filantrópicos, que estão na ponta da linha, sofrem esses efeitos de maneira mais aguda. Como a tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) segue sem reajuste, estamos assistindo ao fechamento de várias instituições beneficentes. O cenário é perverso e é preciso mudar esse quadro com urgência.

Portal GesSaúde: De que forma os hospitais podem evoluir a maturidade de gestão para enfrentar esse cenário? Qual a importância dessa evolução?

Rogatti: A palavra chave é a capacitação, que deve ser acelerada e permanente. Somente pelos ganhos na qualidade da gestão poderemos enfrentar esse quadro adverso, ainda que parcialmente, já que há problemas estruturais que são da esfera de decisão governamental. Por outro lado, temos observado que os hospitais estão mais sensíveis à adoção de práticas de gestão atualizadas, aliadas à implantação de ferramentas tecnológicas de ponta. Isso é um sinal de aumento da maturidade.

Portal GesSaúde: Sem metodologias de gestão, qual o risco que os hospitais correm como negócio?

Rogatti: Temos um quadro com disparidades. No cenário do Estado de São Paulo, temos várias entidades que sobrevivem e crescem mediante gestões arrojadas e criativas, dialogando com as comunidades locais em projetos de captação de recursos, por exemplo. Mas temos outras instituições que, infelizmente, carecem de práticas de gestão mais ajustadas a esses tempos difíceis. O risco é inevitável: sem gestão profissionalizada a tendência é a estagnação.

Portal GesSaúde: Como o senhor enxerga a Saúde no futuro?

Rogatti: Apesar de todas as dificuldades, tenho convicção de que os ajustes na máquina pública, em discussão neste e no próximo governo, darão a necessária injeção de recursos no sistema. Vale considerar que as demandas do setor são intensas e crescentes, fruto do crescimento vegetativo da população associado ao seu acelerado envelhecimento. Ou o País se organiza e destina ao setor a atenção que ele merece ou teremos um colapso na assistência. Sou de opinião que todos os esforços que temos desenvolvido conscientizarão as lideranças do setor público para uma postura mais dedicada em favor da Saúde da população brasileira.

 

Saiba mais: 

Governança corporativa leva maturidade de gestão a hospitais filantrópicos e familiares

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Fotos: Freepik e Divulgação/Facebook Fehosp


29 de Março de 2018 | Atualizado dia 28 de Março de 2018


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