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Como detectar sinais de uma governança corporativa falha na Saúde

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Nível de profissionalismo do modelo é um dos principais fatores que determina a maturidade da gestão hospitalar

Por editoral GesSaúde

A governança corporativa tem como principal objetivo contribuir para o desenvolvimento econômico sustentável, melhorando o desempenho das empresas e facilitando o acesso a recursos. Na Saúde, o conceito é um dos fatores determinantes para se atingir a maturidade da gestão hospitalar. E é essencial detectar os sinais que indiquem falhas que comprometam o nível de profissionalismo do modelo.

De acordo com o paper “Maturidade em Governança Corporativa: diretrizes para um modelo preliminar”,  há cinco níveis de maturidade em governança corporativa, que indicam os pontos a serem considerados em um processo evolutivo do conceito.  Logo no primeiro nível destacado no material, um dos sinais mais evidentes de que o modelo tem falhas é a falta de um Conselho de Administração (CA) estabelecido. O CA tem objetivo de melhorar a qualidade das decisões estratégicas e contribuir para mitigar riscos, entre outros. Para que funcione, o conselho precisa ter autonomia em relação à gestão executiva, de forma a promover mudanças quando os resultados dos negócios indicarem essa necessidade, sem que haja conflitos de interesse.

Outro sinal de falha na governança corporativa é a ausência de um auditor independente da gestão para análise das demonstrações financeiras. A auditoria independente é considerada um importante agente de governança porque tem como objetivo principal verificar se as demonstrações contábeis preparadas e divulgadas aos públicos de interesse da empresa refletem a realidade da companhia.  Sem isso, não há como atestar se os resultados sofreram algum tipo de maquiagem ou não.

Mais uma evidência de que há problemas na aplicação do conceito é quando determinados executivos têm o poder de decidir sobre sua própria remuneração. O sistema de remuneração e incentivos é uma das mais potentes armas da governança corporativa de uma organização. Isso ocorre porque um dos propósitos do modelo é facilitar e estimular o desempenho das organizações, criando e mantendo incentivos que motivem os dirigentes e colaboradores das empresas a maximizar a eficiência operacional, o retorno sobre ativos e o crescimento da produtividade no longo prazo. Sendo assim, esse sistema determina o padrão de comportamento, e por consequência, os resultados da organização.

Avanços

Implantadas essas três ferramentas, considera-se que a organização de Saúde atingiu o primeiro nível da governança corporativa. É hora, então, de promover avanços a fim de evoluir para a almejada maturidade da gestão hospitalar.

Nesse processo evolutivo, há outros indicativos de problemas. O primeiro deles é quando a organização de Saúde não conta com um Conselho Fiscal (CF) permanente. O CF é importante porque seus integrantes têm como missão fiscalizar as ações praticadas pelos administradores e opinar sobre as contas da organização (demonstrações financeiras, modificações de capital, incorporação, entre outras). Para isso, os membros devem se reunir para analisar amplamente os assuntos de sua competência e emitir pareceres e manifestação a respeito. Qualquer acionista pode solicitar a instalação do CF e também sugerir a eleição de membros qualificados para compor seu quadro.

Outro sinal de avanço é o fato de que o CA passa a monitorar a implementação das recomendações referentes a demonstrações financeiras, controles internos, políticas e procedimentos, além de os mandatos do conselho e da diretoria executiva terem tempo determinado e recondução condicionada a alguma avaliação formal de desempenho.

O gestor pode perceber sinais de falhas no processo de avanço quando não há na organização de Saúde um profissional ou área dedicada ao tema governança corporativa. A ocupação dos cargos de diretor-presidente e presidente do CA pela mesma pessoa também é sinal de possível falha na implementação do modelo.

Excelência

Para alcançar a excelência da governança corporativa e dar passos mais seguros em relação a maturidade da gestão hospitalar, é preciso atingir o quinto nível da metodologia, que, entre outros aspectos, leva em consideração a não existência de dispositivos que restrinjam a substituição dos atuais administradores; a remuneração do CA é elaborada de acordo com o valor econômico gerado, os riscos assumidos  e não se baseia em resultados de curto prazo; há relatos periódicos trimestrais sobre a atuação e desempenho da companhia não restritos a informações econômico-financeiras; e todos os comitês são coordenados por um conselheiro independente.

Portanto, elaborar o checklist e verificar se há sinais de falhas na implantação de cada uma dessas ferramentas pode indicar o que é necessário mudar no processo de governança corporativa e, assim, evoluir o nível da maturidade da gestão hospitalar.

Saiba mais:

Os 5 níveis de maturidade da governança corporativa

O papel do gestor hospitalar em um contexto de governança corporativa

Governança corporativa: como otimizar a gestão hospitalar

Imagem: Depositphotos


27 de junho de 2017 | Atualizado dia 16 de outubro de 2018


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