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Como o exemplo adotado pelo Veterans Health Administration nos EUA pode ajudar na saúde pública brasileira

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Por Eleonora Sertorio*

Reduzir a variabilidade do cuidado é essencial para melhorar continuamente os resultados clínicos, fortalecer a segurança do paciente e aumentar a satisfação do paciente, tanto nos sistemas de saúde privados quanto na saúde pública. É essencial também agilizar os fluxos de trabalho e harmonizar a tomada de decisões clínicas entre as equipes de atendimento para que o melhor cuidado possível seja prestado. Isso é fato!

Por outro lado, sabemos que diminuir a variabilidade do cuidado é um desafio comum e acomete até mesmo os países mais desenvolvidos. Não é simples e leva tempo. Os problemas e gargalos, embora em intensidades diferentes, assemelham-se, seja no Brasil, na América do Norte ou na Europa.  Por isso, achei interessante compartilhar com vocês um exemplo que deu certo. O maior sistema integrado de saúde dos Estados Unidos, o Veterans Health Administration (VHA), que faz parte do Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos, tinha uma série de dificuldades nesse sentido, especialmente no que diz respeito à harmonização dos cuidados que são prestados à grande comunidade de veteranos de guerra do país.

Com mais de 306 mil médicos em tempo integral e equipes de apoio que cuidam de nove milhões de veteranos a cada ano em 172 centros médicos, além de mais de mil clínicas ambulatoriais, a quantidade de prontuários, terapias medicamentosas, reações alérgicas, especificidades de cada paciente que o sistema americano acessa todos os dias, assim como as informações que os médicos precisam processar diariamente, é gigantesca.

Por meio de tecnologia, algoritmos interativos e recursos de apoio à decisão clínica, o VHA conseguiu não somente chegar às melhores decisões para seus pacientes, como também passou a ter uma redução significativa no número de exames desnecessários. Isso foi possível graças à utilização de soluções avançadas que ajudam a interpretar, analisar e gerenciar resultados de exames laboratoriais, especialmente os mais difíceis. Os profissionais da saúde acessam orientações concisas para, então, tomar uma decisão certeira. Isso não só torna os diagnósticos mais precisos, como ajuda na identificação de resultados adversos. Também estão disponíveis nessas soluções condições médicas mais comuns, que normalmente induzem à variabilidade do cuidado indesejada.

A questão é: por que não se inspirar? Assim como o Veterans Health Administration tinha problemas e foi capaz de identificar e melhorá-los, os sistemas de saúde pública de outros países, inclusive o do Brasil, podem se motivar para melhorar a variabilidade do cuidado, da terapia medicamentosa e do atendimento clínico.

Óbvio que os gargalos são inúmeros e envolvem outras questões, como mau gerenciamento, falta de recursos financeiros, de leitos e médicos.  Mas é fato que a adoção de soluções como essa, em âmbito geral, ajudaria aos profissionais da saúde a chegarem às melhores decisões para seus pacientes, unido o conhecimento médico contemporâneo, a experiência clínica e os fatores específicos do paciente. Como o Datafolha estima que 90% da população brasileira está insatisfeita com o atendimento da saúde pública – e pelo menos 75% depende exclusivamente do SUS –, o suporte à decisão clínica teria um grande impacto na hora de melhorar esses índices de qualidade e eficiência.

Além de criar, manter e garantir a adoção de padrões para o tratamento de doenças de maior variabilidade, ajudando os médicos a entregarem cuidados consistentes, de alta qualidade e efetivos, os recursos trazem também maior segurança para o paciente. E, mais importante: aumentando a eficiência, aumenta também a economia dos gastos.

Eleonora Sertorio é gerente de Marketing da Wolters Kluwer Health

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6 de maio de 2019 | Atualizado dia 6 de maio de 2019


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