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Compliance como conceito de governança corporativa no hospital

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Modelo propõe transparência, alcance de metas operacionais e comerciais e incorporação da ética como DNA da organização de Saúde

por editorial GesSaúde

O compliance, ou seja, agir em conformidade com as normas e regulamentos externos e internos da organização, é importante conceito de governança corporativa para hospitais. Ele é considerado parte estratégica da instituição e ajuda a evoluir a maturidade de gestão hospitalar, já que propõe transparência, alcance de metas operacionais e comerciais e, consequentemente, a melhoria do atendimento ao paciente.

Os 5 níveis de maturidade da governança corporativa

O conceito atende aos quatro pilares da governança corporativa: transparência, equidade (relações entre as partes), prestação de contas e responsabilidade social. Para ser aplicado de forma a evoluir a maturidade de gestão hospitalar, deve estar contemplado no planejamento estratégico e alinhado com a missão, visão e valores da instituição, permeando as atividades cotidianas de todas as equipes, do assistencial ao backoffice. O compliance não pode ser visto de forma isolada ou valer apenas para alguns departamentos, mas permear as atividades como um todo, com visão corporativa abrangente.

Elizabeth Castro Maurenza de Oliveira, coordenadora do curso de ciências contábeis da Universidade Metodista de São Paulo, explica que, em geral, as normas internas são aquelas apresentadas no Manual de Práticas Éticas, Missão e Valores de uma organização, espécie de código de conduta e ética, e ainda em atividades cotidianas e operacionais. Quanto às normas externas, a especialista comenta que podem ser considerados desde aspectos tributários e fiscais até o cumprimento das resoluções dos respectivos conselhos regionais e federal das profissões envolvidas  – medicina, enfermagem, fisioterapia, entre outros.

A coordenadora considera que o compliance traz confiabilidade e profissionalização à gestão dos hospitais. “A aplicação do conceito na Saúde tem a capacidade de gerar boas práticas, cumprimento de leis, resoluções e normas que contribuem para o bom gerenciamento de uma organização”, destaca a especialista.

O compliance na Saúde vem ganhando destaque nos últimos tempos em todo o mundo. Em pesquisa realizada pela consultoria Deloitte na Europa, 67% das organizações ampliaram seus investimentos na metodologia e 78% devem mantê-los em um cenário de três  anos. No Brasil, a especialista da Metodista avalia que, diante do clima de desconfiança e corrupção generalizada, o compliance é um modelo a ser seguido e pode, inclusive, levar a um diferencial de mercado. “Hospitais que conseguem imprimir sua marca e pautar sua conduta na transparência, honestidade, cumprimento de obrigações e compromisso com seus profissionais e pacientes conquistam confiança e fidelidade do público. E sabemos que confiança e credibilidade são valores que, agregados à performance corporativa, tornam essas organizações insubstituíveis.”

Gestão

O papel do gestor é imprescindível na aplicação do compliance como parte da governança corporativa e estratégia da organização de Saúde. Segundo Elizabeth, ele é o responsável pela operacionalização e o bom cumprimento das expectativas demandadas pelos conselhos de Administração, de Auditoria e Assembleia de Acionistas instalados nas organizações de Saúde. “Compliance e governança corporativa têm sido disseminados notadamente em multinacionais, pois quando bem executados geram retornos financeiros e mercadológicos. Mas é possível utilizar o conceito em organizações de todos os tamanhos, desde que o gestor se envolva diretamente nesse processo e acompanhe o cumprimento das metas estabelecidas.”

Organizações na qual a maturidade de gestão hospitalar é mais evoluída optam por estabelecer comitês ou fóruns para reunir líderes executivos responsáveis pelos vários domínios dos riscos envolvidos em compliance, a fim de propor uma visão consistente e sistêmica sobre o tema. Nessas instituições, o papel do Chief Compliance Officer (CCO) vem ganhando destaque, com mais supervisão e autoridade.

Ainda conforme a Deloitte, há um crescente movimento no sentido de mudar o foco dos programas de compliance, passando de um conceito simples, com base em regras, para um com base na ética e na integridade. Dessa forma, é reconhecida a necessidade de embutir a ética e a integridade ao DNA do hospital, mantendo o mesmo tom nos níveis médios e altos de gestão, a fim de disseminar a mensagem e treinar as equipes para a criação de uma mentalidade que possibilite o equilíbrio adequado entre necessidades de compliance, do negócio e de prestar um excelente atendimento ao paciente.

Saiba mais:

Governança corporativa: a dicotomia de tratar a saúde e gerar resultados

Case: governança corporativa ajuda a profissionalizar gestão de hospital filantrópico

A importância do Conselho de Administração para o hospital

Foto: Depositphotos


24 de outubro de 2017 | Atualizado dia 16 de outubro de 2018


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