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Comunicação e tecnologias auxiliam a gestão anestésica a manter a segurança do paciente

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Especialista explica que instituições sem governança clínica e corporativa estão passíveis de glosas desperdícios e perdas financeiras

Por Editorial GesSaúde

A tecnologia tem impactado diretamente todas as áreas das organizações de Saúde. Isso é fato. Porém, quando o assunto é a segurança do paciente, um dos aspectos que causa preocupação para muitos gestores é a gestão anestésica. O líder tem o papel de alinhar as equipes do centro cirúrgico e também garantir fluxo de comunicação entre os profissionais para que erros não sejam cometidos – e na ala cirúrgica, qualquer deslize pode resultar em óbito. Esse e outros assuntos foram comentados pelo doutor Wanderson Machado Carvalho, médico anestesista, CEO e fundador da WMC Anestesia em entrevista para o Portal GesSaúde. Confira.

Editorial GesSaúde: Qual a importância do engajamento e da comunicação clara de toda a equipe antes do início de um procedimento cirúrgico?

Dr. Wanderson: A gestão anestésica e cirúrgica precisa ter a comunicação como um dos pilares, pois a integração da equipe é parte da estratégia de segurança do paciente. Por exemplo, 20% das vezes em que ocorre um erro de lateralidade em uma cirurgia, é provável que alguém dentro do centro cirúrgico sabia e não informe. Falta comunicação, falta incentivo à comunicação, falta que todas as pessoas envolvidas tenham a certeza de que a segurança do paciente e da instituição é mais importante do que qualquer outra coisa.

Complicações como essa, alergias, sangramentos, sepse e outras infecções, queda de nível, distúrbios hemodinâmicos e aumento do tempo de internamento são as consequências mais comuns do não engajamento, da má comunicação ou simplesmente da ausência de comunicação.

Um procedimento cirúrgico é um ecossistema altamente complexo, que envolve desde questões de segurança do paciente a segurança financeira das instituições de Saúde, passando por fluxo de trabalho e gestão de dados dos médicos anestesiologistas e cirurgiões, integração de dados do centro cirúrgico com o prontuário eletrônico e com a administração hospitalar.

São muitas pessoas e equipes envolvidas além dos cirurgiões, médicos anestesistas e enfermeiros. São instrumentadores cirúrgicos, secretárias, todos os colaboradores do hospital, terceirizados, fornecedores… Desperdícios, glosas de convênios e perdas financeiras hospitalares acabam se tornando rotina em estabelecimentos que não tenham governança clínica e corporativa, com maturidade de gestão em que se previne a má comunicação.

Editorial GesSaúde: Na sua opinião, o médico anestesista hoje possui apoio e suporte dos hospitais? Como isso se dá?

Dr. Wanderson: Não posso falar de onde não conheço, e nos locais em que tenho atuado, sempre recebi todo o suporte. Mas sei da realidade geral do país e com isso posso afirmar que, exceto em instituições que têm maturidade de gestão e visão global da importância do equilíbrio do ecossistema de Saúde, de acreditação hospitalar com cultura justa e de segurança e da entrega de valor para seus clientes, não há apoio suficiente aos médicos anestesiologistas. Haja vista que a anestesia é a especialidade médica mais atingida pelo burnout (nota do editor: Síndrome de burnout é um estresse crônico provocado por excesso de trabalho). Muito disso se deve à imensa responsabilidade do anestesiologista: em uma cirurgia, o profissional não somente administra os anestésicos na dose certa para o paciente adormecer sem riscos, mas é responsável por diagnosticar e monitorar, constantemente, a situação geral do paciente e seus sinais vitais. E essa observação deve ser mantida até que todos os efeitos relacionados à anestesia tenham sido revertidos. Além disso, avalia o paciente antes, durante e depois da cirurgia.

O gestor de um hospital ou instituição de Saúde que tenha visão de longa distância saberá reconhecer o valor estratégico do médico anestesiologista, saberá que esse profissional é uma das peças-chave do centro cirúrgico e do hospital. Os principais clientes de um hospital de saúde suplementar são as operadoras de Saúde, os cirurgiões e os pacientes e familiares. Onde entra o anestesista nessa engrenagem? Se ele se relaciona mal com o cirurgião, por exemplo, que é outra peça-chave na engrenagem, o funcionamento dessa máquina, desse ecossistema, vai emperrar.

Ainda pior se esse anestesista não for competente e a anestesia que ele realizar provoque muita dor no pós-operatório, náuseas, vômitos, infecções por uso inadequado de antibióticos, e isso tudo atrase a saída dos pacientes das salas cirúrgicas e impeça a rotatividade saudável do centro cirúrgico e a realização de mais cirurgias. O cenário é catastrófico se o paciente e seus familiares fizerem propaganda negativa em rede social e ainda reclamarem na operadora de Saúde.

Editorial GesSaúde: E se esse hospital ou instituição for remunerado por performance? Qual será o resultado dessa performance? Dessa propaganda negativa e dessa reclamação?

Dr. Wanderson: Percebe o valor de um anestesista de excelência? O valor de uma parceria de sucesso entre gestor hospitalar e empresas de terceirização, gestão e consultoria em anestesiologia, ou seja, empresas e profissionais médicos anestesistas que realizam governança clínica em anestesiologia, com programa de entrega de performance e de valor para os clientes dos hospitais?

Um gestor com essa visão, que reconheça o valor desse profissional e dessas empresas, certamente quebrará paradigmas na Saúde brasileira.

Editorial GesSaúde: Como otimizar a gestão da anestesiologia do centro cirúrgico de modo a reduzir erros e aumentar a segurança do paciente?

Dr. Wanderson: O grande segredo para um gestor de Saúde ter excelentes resultados com os seus indicadores de qualidade e segurança em um centro cirúrgico é profissionalizar a gestão de anestesiologia. Uma empresa especializada nesse tipo de gestão deve traçar um plano estratégico para qualificar a equipe de anestesiologia do hospital para atuar sob uma governança clínica focada no modelo de maturidade de gestão e dentro da transformação digital que o mercado traz com muita velocidade. Dentro desse plano, deverão estar, entre outras iniciativas, a implementação de protocolos e melhores práticas e a otimização do uso de fármacos, materiais, equipamentos e tecnologia, sempre focando três pilares para a sustentabilidade do centro cirúrgico e da instituição: a segurança do paciente, a entrega de valor e qualidade e o crescimento financeiro da instituição.

Muito importante é a escolha de técnicas anestésicas seguras e comprovadamente eficazes de recuperação rápida, oferecendo um pós-operatório mais confortável e tranquilo, com diminuição de complicações e redução do tempo de permanência hospitalar do paciente.

A aproximação do médico anestesiologista com o paciente, o bom relacionamento entre anestesistas e cirurgiões e a grande parceria do anestesiologista com toda a equipe de colaboradores do hospital, garantindo a boa comunicação e a boa convivência, também fazem parte de uma estratégia de segurança do paciente e da redução de erros em um centro cirúrgico, UTIs e centro de diagnóstico.

Editorial GesSaúde: Existem tecnologias que podem auxiliar a gestão da anestesiologia? Quais são?

Dr. Wanderson: Hoje a transformação digital, a inteligência artificial, traz-nos todos os dias tecnologias para a anestesiologia e a medicina em geral. Por exemplo, existe uma tecnologia voltada totalmente para as informações relacionadas ao paciente e ao procedimento anestésico. Possibilita que esses dados sejam analisados automaticamente, fornecendo suporte à decisão, gestão de risco e estatísticas atualizadas a cada novo registro. Com pré-anestésico em nuvem, os pacientes iniciam a avaliação em casa, no trabalho ou mesmo em um shopping, por exemplo, tomando um cafezinho e podendo anotar todos os seus medos, inseguranças, dúvidas, medicamentos de uso contínuo, patologias existentes, alergias, etc. Ao se encontrar presencialmente com o médico anestesiologista, a consulta decorre com mais calma, podendo ser desenvolvido um vínculo forte entre o médico e o paciente. Também conheço outra tecnologia que ajuda pacientes e profissionais em momentos críticos, faz integração, rastreamento, análise e entrega de dados em tempo real, com business intelligence em nuvem de dados e aplicações dedicadas para mobiles em sala de cirurgia. É uma tecnologia que se comunica com o prontuário do paciente e com o sistema de gestão do hospital.

Editorial GesSaúde: Além das tecnologias, que outras estratégias devem ser adotadas na gestão da anestesiologia?

Dr. Wanderson: A empresa de anestesiologia tem que estar sempre inovando, fazendo gestão de riscos e controle de eventos adversos e tomando decisões de forma rápida. Como eu mencionei anteriormente, é necessário implementar protocolos e melhores práticas, preparando a equipe, respeitando as diferenças e as características de cada local, sabendo não apenas gerir equipamentos, mas pessoas.

É preciso otimizar recursos e ampliar receita pela melhor definição de equipamentos e medicamentos, além de orientar gestores e equipe de anestesiologistas para melhor uso desses recursos. Muitas vezes, é preciso realocar recursos, se ainda não há como aumentá-los, e isso se faz com boa gestão. Em uma realidade em que qualidade é exigência e seremos avaliados e remunerados por performance, o anestesista gestor, que sabe trabalhar com custo-benefício para entrega de valor, é uma jóia preciosa.

Já mencionei também a escolha de técnicas anestésicas seguras, comprovadamente eficazes e de recuperação rápida, oferecendo um pós-operatório mais confortável e tranquilo, com diminuição de complicações e redução do tempo de permanência hospitalar do paciente.

O controle financeiro dos procedimentos junto às operadoras de Saúde, para evitar perda de receita e glosa, também é necessário, com procedimentos de relacionamento entre a área anestésica e os setores de farmácia, compras, financeiro, faturamento, auditoria e centro cirúrgico, gerenciamento de receita financeira de toda a área anestésica e a implantação de indicadores para acompanhamento dos resultados.

É importantíssima uma equipe de profissionais capaz de atender qualquer porte anestésico, com desenvolvimento profissional contínuo. E mesmo a garantia do bom andamento da agenda de cirurgias e exames, pela pontualidade dos profissionais e controle rigoroso da escala de trabalho, o que parece óbvio, mas é causa de grandes transtornos em hospitais.

Saiba mais:

5 caminhos para reduzir a variabilidade do cuidado

5 desafios do gestor rumo à maturidade de gestão hospitalar

Maturidade de gestão hospitalar: vídeos de destaque do canal GesSaúde


5 de novembro de 2018 | Atualizado dia 13 de novembro de 2018


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