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Estratégias de gestão de Saúde populacional para hospitais

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Gestores devem mudar o olhar na administração, com direcionamento horizontal e apoiado em práticas de maturidade de gestão

Por editorial GesSaúde

A gestão de Saúde populacional propõe uma mudança radical na forma como a Saúde é concebida, alterando o padrão centrado no tratamento reativo para um modelo com foco na prevenção. Especialistas explicam que, atualmente, o setor se encontra em um momento de importante aumento da expectativa de vida – o que, consequentemente, promove mudanças no perfil epidemiológico populacional e exigem um novo sistema de Saúde. É considerável, ainda, o impacto do desenvolvimento da tecnologia, da mudança da era analógica para a digital, do surgimento de novas doenças, de novos tratamentos e métodos diagnósticos para patologias crônicas. Por isso, é preciso repensar o modelo hospitalocêntrico, priorizando a atenção primária e colocando o paciente no centro do negócio.

Para alcançar esse novo sistema de Saúde, o hospital precisa assumir uma posição estratégica nesse cenário. De acordo com o médico Paulo Marcos Senra Souza, que também é pesquisador, consultor, palestrante e mestrando em Saúde populacional no IESC/UFRJ, as organizações terão de reformular o modelo de operação, com enfoque na assistência primária, ou seja, em ações preventivas. E, para que isso aconteça, é necessário que a gestão do negócio seja madura e baseada nos pilares da administração moderna. “Para enfrentar essa nova era, o hospital terá que se tornar uma unidade integradora, não mais uma unidade parte de um ecossistema fragmentado. A estratégia terá que ser alongada para atender o paciente, em especial o crônico, na esfera pré-hospitalar, cuidando para que ele não se transforme em um paciente agudo que sobrecarregue o pronto-socorro”, disse Souza.

Antes de assumir sua posição em um novo sistema de Saúde, o hospital precisa se preparar internamente. Uma forma de aplicar uma estratégia de Saúde populacional é a implementação dos conceitos de Medicina 4P, criados pela Sociedade Europeia de Medicina Preventiva. Prevenção, predição, participação e personalização são os elementos-base para garantir um serviço de Saúde de qualidade e abrangente. Para isso, é importante alinhar a estratégia da organização aos novos conceitos, além de fazer uso de tecnologias como a inteligência artificial (IA), que otimiza a prevenção e o diagnóstico precoce, internet das coisas (Internet of Things – IoT) e prontuário eletrônico integrado e constantemente alimentado por informações que possibilitem ações preditivas, entre outras ferramentas. Nesse sentido, a tecnologia serve como meio para a aplicação dos conceitos fundamentais para a mudança do papel do hospital no ecossistema de Saúde.

Outro aspecto fundamental para o posicionamento diferenciado é conhecer profundamente cada processo envolvido na assistência e como ele pode ser otimizado para garantir um plano de cuidado completo, não apenas quando o paciente se encontra no hospital. Tudo isso depende de uma mudança profunda na cultura hospitalar, que parte da gestão e envolve todos os profissionais, da assistência ao backoffice.

O especialista aponta ainda que, para a estratégia ser bem-sucedida, é necessário que a gestão da organização não perca a visão do todo – tanto interna quanto externamente. Mesmo que sejam aplicadas ações direcionadas para a assistência primária, é necessário garantir a qualidade do atendimento dentro do hospital, bem como a segurança do paciente. Por isso, o médico e pesquisador argumenta que a visão da gestão hospitalar tem de ser horizontal. “A estratégia também deve estar direcionada no pós-alta, de forma que o paciente não se transforme em crônico, com múltiplas reinternacões. O hospital terá que fazer parte de uma rede de atenção pré e pós-hospitalar, em que só será acionado em situações críticas. A estratégia terá que ser de ampliar a atividade hospitalar de forma horizontal e com participação em rede”, afirmou Souza.

A implantação da Saúde populacional impacta diretamente na forma como a maioria das organizações encara o setor, com visão na cura de doenças, em detrimento do bem estar e saúde do paciente. “A gestão da Saúde populacional envolve especialmente as estratégias de prevenção e promoção da saúde de forma a manter as pessoas saudáveis, o que em princípio conflita com o interesse do hospital, que no modelo atual depende da doença, depende que o paciente necessita de internação. Nesta nova era o hospital terá que participar de uma rede de coordenação de cuidado contínua e longitudinal, que garanta saúde e enfrente os gastos com a agudização de crônicos, fragmentação do cuidado e reinternacão”, orientou o doutor Paulo Marcos.

Saiba mais: 

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17 de setembro de 2018 | Atualizado dia 16 de outubro de 2018


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