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Gestão de riscos em hospitais: passo a passo para implantação

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Principal objetivo da estratégia é fornecer suporte para a tomada de decisões diante de eventos inesperados

por editorial GesSaúde

Em tempos de transformação digital, mudanças no modelo de remuneração e precificação e outros desafios no cenário brasileiro de Saúde, o gerenciamento de risco é uma metodologia relevante para a gestão hospitalar. Ela visa a antecipar potenciais perigos, conforme os diferentes cenários que a organização pode enfrentar.  É uma importante etapa durante o planejamento estratégico e tem como principal objetivo fornecer suporte para a tomada de decisões diante de eventos indesejáveis.

Hospital: conheça os efeitos colaterais da falta de governança corporativa

Dentro da governança corporativa, existem várias alternativas para a construção de uma estrutura de gerenciamento de riscos. Cada organização deve adotar a estrutura que melhor se enquadre no perfil do negócio, mas uma saída comum é a criação de uma unidade responsável por essa função.

A cultura de riscos de uma gestão define como ela identifica, aceita e gerencia os eventos e ações que podem influenciar o cotidiano do hospital. Por sua complexidade e importância, a gestão de riscos envolve conselho de administração, conselho fiscal e comitê de auditoria, em três linhas de defesa. A primeira é realizada pelos gestores das unidades e responsáveis diretos pelos processos. Deve operar as funções de gerenciamento e responde em primeiro lugar pelos riscos. A segunda é executada pelos gestores corporativos de práticas de controle e tem a finalidade de oferecer visão integrada dos riscos. Por fim, a terceira linha de defesa é realizada pela auditoria interna e fornece avaliações por meio do acompanhamento dos controles internos.

Para colocar a gestão de riscos em prática, é necessário envolver as áreas técnicas, que vão oferecer as informações necessárias para complementar a visão sobre potenciais intercorrências.  Quatro passos ajudam no processo:

  • Identificação: essa é a etapa de levantar o conjunto de eventos externos e internos que podem impactar de alguma forma os objetivos estratégicos ou comprometer a operação. Ao observar o ambiente externo do hospital, os gestores devem se atentar aos possíveis cenários e mudanças no setor. Em seguida, o olhar deve ser direcionado para o interior do negócio, identificando pontos fracos, fortes e autonomia de resposta aos eventos. O número de ocorrências dependerá do porte e do tipo de serviço prestado pela organização. Esse processo deve ser revisto frequentemente, com periodicidade a ser definida pela gestão, para que seja possível  a rápida adaptação às mudanças. O perfil dos riscos pode ser definido pelo corpo executivo e avaliado pelo conselho de administração.
  • Avaliação: nesse momento, é preciso saber quais tipos de efeitos os riscos podem causar na organização de Saúde, como, por exemplo, redução na qualidade do atendimento, queda nos resultados, multas fiscais, etc. Saber a potencialidade de eventos futuros fornece embasamento para o tratamento que será executado.
  • Implementação: é realizada por meio da estruturação dos processos internos, com o intuito de reduzir, mitigar e absorver impactos, além de fomentar a cultura de gestão de riscos.  Ou seja, os responsáveis pelo gerenciamento de riscos são os gestores de um determinado processo, que devem fazer acompanhamento contínuo.
  • Monitoramento: após identificado o risco, é preciso acompanhar a evolução do evento, formatar medidas de desempenho, descrever o impacto em relatórios e quantificar possíveis perdas, a fim de criar padrões que serão seguidos caso o evento volte a ocorrer.

O conselho de administração também tem o papel de fortalecer junto ao corpo executivo e diretoria a importância da manutenção da gestão de riscos e sua disseminação a todas as áreas da organização de Saúde. Cabe a ele identificar os perigos e definir e atualizar o apetite de risco da organização, que significa o quanto de exposição uma instituição pode tolerar para atingir suas metas e objetivos. O conselho também deve monitorar periodicamente os potenciais eventos.

O conselho fiscal, como órgão de governança, pode assumir a supervisão e monitoramento da gestão de riscos, que inclui a supervisão dos comitês de auditoria, gestão de riscos, auditoria interna, áreas contábil, jurídica, de ética e conduta. O objetivo é usar as informações desses agentes para formar opinião sobre os atos da gestão.

As informações pertinentes sobre os riscos são direcionadas para a direção ou presidência do hospital. Esse alto escalão se vale de todos os dados para assumir a tomada de decisões, baseado no apetite de risco. Todos os detalhes da decisão, contudo, são antes discutidos com o conselho de administração, para nortear as ações e evitar possíveis erros de conduta e investimento – garantindo, assim, que o hospital esteja preparado para lidar com todos os possíveis cenários de risco.

Saiba mais:

Governança corporativa e a relevância do conselho fiscal para o hospital

Governança corporativa e transformação digital: aonde vamos?

Governança corporativa: como aculturar o hospital

Foto: Pixabay


1 de março de 2018 | Atualizado dia 16 de outubro de 2018


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