Voltar

Gestão por processos: não perca a capacidade de se indignar

Junte-se a mais de 15.000 profissionais de gestão da saúde.

Assine nossa lista e receba conteúdos com prioridade


Processos com baixa eficiência ou que não fornecem resultados e qualidade podem estar nas mão de pessoas que se acostumaram com a execução de tarefas ineficientes

Por Fabiana Freitas*

A operação de um hospital é complexa e por se tratar de vidas não pode haver falhas. As rotinas devem ser executadas com atenção por parte de todos os envolvidos, garantindo assim segurança, qualidade e resultados financeiro para a instituição. Porém, um fato que é comum a toda e qualquer organização é a acomodação por parte dos colaboradores. Muitas vezes a execução repetitiva de tarefas leva à perda da capacidade de indignação: a falta de resultados não desperta a atenção de quem está diretamente ligado aos processos e tarefas, levando à estagnação.

A gestão por processos pode ser uma aliada contra essa estagnação, pois a partir da definição de um ciclo de melhoria, a operação é constantemente acompanhada, medida e revista. É possível encontrar pessoas que se acostumaram a executar tarefas, porque sempre foi assim! A Síndrome de Gabriela (eu nasci assim, sempre fui assim, vou morrer assim) no mundo atual com a velocidade em que estamos vivendo não podemos deixar de perceber o impacto que realizamos no dia a dia e, pior, sem ter um olhar para o resultado e racionalização do nosso trabalho.

É sempre importante para os gestores criar essa cultura nos seus colaboradores, motivá-los a enfrentar as dificuldades e levar para a gestão possibilidades de melhorias. Nesse aspecto, o empoderamento dos colaboradores é importante para permitir que eles sintam a necessidade de evoluir as tarefas de cada cargo.

O desafio pode ser uma forma de motivar as pessoas a se indignarem com os baixos resultados e a rever tarefas e processos que não levam qualidade e eficácia aos serviços. Um profissional que se sente desafiado de forma positiva é motivado a sair do lugar comum, pensar novas formas de executar os processos e até mesmo reformular as tarefas para que elas gerem valor e qualidade para a instituição. A atenção do gestor deve estar voltada para filtrar, nas equipes, quem são as pessoas que estão desmotivadas, que perderam a capacidade de se indignar com a baixa eficiência e que praticam os processos de forma robótica, sem a vontade de mudar e evoluir o trabalho e as rotinas, ou que não querem sair da zona de conforto.

O estágio de comodismo, de achar que é normal não atingir resultados, é perigoso para a saúde do negócio. O cliente é o primeiro a perceber que a organização não consegue oferecer a qualidade e os serviços a que ela se propôs. Rever os processos significa também avaliar o estágio em que cada colaborador envolvido se encontra. Missão e valores de um hospital são importantes para manter a competitividade e apresentar aos clientes os diferenciais da instituição. Mas, quando as pessoas perdem a capacidade de se indignar com as falhas, falta de segurança, qualidade, de eficiência, e excelência na entrega dos trabalhos, entram em risco não somente os objetivos do hospital, mas os valores e a proposta pela qual está inserido no mercado.

Oferecer feedbacks realistas, considerando a capacidade individual de cada integrante da equipe, é uma técnica valiosa para evitar a acomodação. A Saúde vive em constante transformação e as operações do setor apresentam variações cotidianas. É quase impraticável conceber uma organização que não passa por diferentes acontecimentos, variações mercadológicas e anseios e necessidades diversas dos clientes. Assim, indignar-se com resultados ruins deve ser uma característica de profissionais engajados e em sintonia com os valores do hospital.

Fica, portanto, o alerta: acomodar-se é um passo certeiro rumo à perda de qualidade, insatisfação dos clientes e dificuldades para garantir a segurança dos pacientes.

Fabiana Freitas é sócia da GesSaúde. Administradora, também é especialista em gerenciamento de processos com foco em BPM e modelagem por BPMN. Possui especialização em desenvolvimento e gerenciamento integrado, bem como logística empresarial.

Saiba mais:

Café & Gestão SP: o desafio da formação de novos médicos

Gestão de pessoas: o perfil do líder para engajar as equipes

Como ajustar o modelo de negócio para tornar a instituição independente de seus sócios


21 de março de 2019 | Atualizado dia 21 de março de 2019


ÚLTIMAS POSTAGENS

Gestão Hospitalar

Medicina preventiva e a utilização de Práticas Integrativas

Prevenção e promoção da saúde fornecem melhor qualidade no atendimento e cuidado ao paciente Por Priscilla Martins* Devido às transformações…Leia mais.

Gestão Hospitalar

Gestão de processos: inovação e tecnologia na condução de rotinas

A transformação no mercado da Saúde exige uma mudança no mindset das organizações, o que implica na gestão de processos…Leia mais.

Gestão Hospitalar

Elementos de qualidade para garantir uma boa jornada do paciente

Especialista explica como organizações de Saúde podem oferecer experiência positiva para usuário e familiares Por Editorial GesSaúde Medir a satisfação…Leia mais.

Cadastre-se para ter acesso a conteúdos exclusivos