Voltar

Case: governança corporativa ajuda a profissionalizar gestão de hospital filantrópico

Por Adriele Marchesini

Hospital São Vicente de Paula, no Rio de Janeiro, é exemplo dos resultados que podem ser alcançados pela maturidade de gestão hospitalar

por editorial GesSaúde

Apesar de não visar o lucro, hospitais filantrópicos também podem se beneficiar dos resultados obtidos com a profissionalização da gestão. Mas, para que isso ocorra, é preciso evoluir a maturidade de gestão hospitalar, a fim de utilizar ferramentas de governança corporativa para realizar melhorias que impactam diretamente a qualidade do atendimento ao paciente.

A origem etimológica da palavra filantropia significa “amizade pela humanidade”. O conceito original, desenvolvido no início do século 20, parte do princípio de que a ação social nasce da decisão individual de um possuidor de bens ou recursos financeiros, que acredita que esses recursos doados a uma entidade ou a uma causa podem fazer a diferença na vida de uma ou mais pessoas. Dentro desse conceito nasceram os hospitais filantrópicos, que hoje somam em torno de 2.600 instituições no Brasil. Esses hospitais são organizações privadas, mas que não têm fins lucrativos, e muitas vezes prestam seus serviços em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS). O modelo de instituição sobrevive por meio dessas parcerias e também de seus mantenedores, que colaboram com recursos para manter os hospitais funcionando.

É o caso do Hospital São Vicente de Paula (HSVP), no Rio de Janeiro, cuja história começou na década de 1930, quando as filhas da caridade de São Vicente de Paula criaram um hospital escola. Em 1980, a unidade deu lugar ao HSVP, que, em 1998, obteve a certificação ISO 9002:1994, e em 2008, o selo internacional de excelência e segurança na assistência ao paciente da Joint Commission International (JCL), um dos mais importantes órgãos de acreditadação em Saúde do mundo.

Irmã Marinete, à frente do HSVP

Os reconhecimentos são mantidos e renovados anualmente até hoje. Uma das principais responsáveis por manter esse desempenho foi a diretora executiva Irmã Marinete Tibério, no cargo desde 2009. Quando a CEO assumiu, a instituição enfrentava dificuldades de caixa, como tantos outros hospitais filantrópicos, com déficit de R$ 20 milhões vindo de 2008, com expectativa de déficit de R$ 22 milhões em 2009. Além de ser graduada em Direito, Irmã Marinete já tinha experiência em gestão, pois era ecônoma provincial da Associação São Vicente de Paula, cargo que ocupou por sete anos. Porém, consciente dos desafios e peculiaridades da nova função à frente da administração de um hospital de grande porte, ela decidiu se especializar, complementando a formação com dois MBAs: administração hospitalar e gestão em Saúde.

Tendo a gestora à frente, o hospital reestruturou, ao longo dos últimos anos, todos os processos de atendimento. No período, foram adotados novos protocolos de assistência e realizados investimentos na compra de equipamentos com tecnologia de ponta e na criação de serviços especializados. Todo esse trabalho resultou no reconhecimento do HSVP como uma instituição de padrão internacional e referência na área de Saúde, com foco voltado para a melhoria na qualidade e na segurança do paciente.

Irmã Marinete também contou com a ajuda de consultoria externa para realizar a reestruturação gerencial do hospital, trabalho dividido em três pilares: renovação da governança corporativa, reestruturação financeira e redesenho da vocação médica.

Apesar de não visar o lucro, Irmã Marinete explica que o equilíbrio financeiro é determinante para o hospital filantrópico. “O fato de não termos rendimento – eu sou a CEO do hospital e não recebo remuneração – traz benefícios e retornos de valores financeiros que podem ser aplicados em outros projetos do hospital. Quando fecha o balanço do exercício, a empresa privada distribui os lucros, bonificando o quadro social. No nosso caso, não temos lucro, temos superávit, que deve ser revertido para a própria instituição. A transparência, a equidade na prestação de contas facilita a diminuição de custo”, afirma.

A gestora destaca que precisou haver uma mudança de mentalidade em todos os setores para que as medidas implantadas alcançassem resultados. “Havia uma visão mais voltada ao assistencial, ligada ao conceito de obra de caridade. Mas é preciso equilibrar a caridade sem esquecer que hoje a instituição hospitalar é vista como um negócio. E não posso tratar de maneira diferente o hospital religioso e filantrópico se o mercado não o faz.”

O exemplo do HSVP mostra, portanto, que a governança corporativa, proporcionada pela maturidade de gestão hospitalar, ajuda a fazer a diferença na hora de profissionalizar a administração das organizações de Saúde.

Saiba mais:

Governança corporativa leva maturidade de gestão a hospitais filantrópicos e familiares

A importância do conselho de administração para o hospital

Como detectar sinais de uma governança corporativa falha na Saúde

Fotos: Pixabay e Arquivo Pessoal


29 de agosto de 2017 | Atualizado dia 9 de outubro de 2017


ÚLTIMAS POSTAGENS

Editorial GesSaúde

Atenção Primária à Saúde: por que ela é cada vez mais necessária

Modelo utilizado pelo SUS começa a chegar à Saúde Suplementar; entenda como o hospital deve se adaptar à mudança por…Leia mais.

Editorial GesSaúde

Estratégias de gestão de Saúde populacional para hospitais

Gestores devem mudar o olhar na administração, com direcionamento horizontal e apoiado em práticas de maturidade de gestão Por editorial…Leia mais.

Gerenciamento de processos hospitalares: uma visão horizontal

Metodologia impacta diretamente nos resultados porque permite que a organização conheça o encadeamento das suas operações Por Fabiana Freitas Desconhecer…Leia mais.

Cadastre-se para ter acesso a conteúdos exclusivos