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Maturidade de gestão hospitalar é algo que se conquista

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Experiência no mercado de Saúde mostrou que informatização não resolve todos os problemas da gestão

 

Roberto Gordilho

Uma boa parte dos hospitais brasileiros se informatizou nos últimos 15 anos com o objetivo de modernizar seus serviços e sua gestão. Gastaram muito dinheiro com a digitalização de seus processos, o que é importante, mas mesmo assim não conseguiram resolver seus problemas administrativos e de gestão.

Entre 2011 a 2016, coordenei a implantação de sistemas de gestão em mais 300 hospitais de todos os portes (pequeno, médio e grande), tipos (públicos, privados e filantrópicos) e que prestam serviços ao SUS e aos convênios e seguradora. Ficou evidente que apenas a informatização não é suficiente para a obtenção da maturidade de gestão hospitalar.

Os hospitais deram um primeiro passo ao se informatizarem, mas precisam continuar evoluindo o processo de gestão, investindo em outros elementos que proporcionem evoluir e melhorar sua gestão: governança corporativa, estratégia, tecnologia, processos e pessoas.

Constatei que 90% de todos os clientes usavam menos de 40% dos recursos das soluções de informatização.  Em geral, o uso é muito baixo porque falta clareza na estratégia, processos definidos, treinamento focado no negócio, não apenas na ferramenta e um bom sistema de governança.

Afinal de que adianta ter um sistema, mas não saber usá-lo da forma mais adequada? É o mesmo que ter um carro 4×4 para andar somente no asfalto.

O mercado dá o peixe, mas não ensina a pescar. Enquanto o fornecedor está com o cliente, a instituição de Saúde consegue utilizar menos de 60% dos recursos do software, mas depois seu uso começa a cair e as empresas não alcançam a maturidade ou evolução de gestão esperada.

As instituições de Saúde, especialmente as de pequeno e médio porte, precisam mais do que isso. O modelo “pesque e pague”, o ensino da técnica e o acelerar desse aprendizado, é essencial nesse processo.

Criei a GesSaúde com o objetivo de trabalhar a aceleração da maturidade de gestão hospitalar em instituições de Saúde já informatizadas, mas que ainda acumulam problemas de gestão. O que se faria em cinco anos, na melhor das perspectivas, vi que era possível fazer em três, muitas vezes em dois.

Atualmente, além da GesSaúde, trabalho em uma tese de mestrado em administração, na qual defendo que a maturidade de gestão não é somente estar informatizado, é mais do que isso: é ter pessoas qualificadas e capacitadas para utilizar a tecnologia com bons e sólidos processos na execução da estratégia definida, aliadas a um sistema de governança capaz de permitir o acompanhamento da organização e das ações planejadas.

Somente com metodologia é que vamos construir nas instituições a maturidade de gestão tão necessária para organizações de Saúde de pequeno e médio porte poderem sair do vermelho e crescer de forma sadia e competitiva no mercado.  Porque maturidade de gestão não se compra, se conquista, mas pode ser acelerada com muito empenho e utilizando métodos adequados.

Roberto Gordilho é fundador da GesSaúde e especialista em Sistemas de Informação, Engenharia de Software, Desenvolvimento Web e em Finanças, Contabilidade e Auditoria, possui mais de 30 anos de experiência nas áreas de tecnologia e gestão, sendo 14 na área da Saúde.


18 de abril de 2017 | Atualizado dia 16 de outubro de 2018


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