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Maturidade de Gestão Hospitalar

A maturidade da gestão de instituições de Saúde é um conceito ainda recente no Brasil, mas já vem sendo difundido em grandes centros de medicina no exterior.

Em 2013, o pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Gustavo Capellini analisou o tema e constatou que a profissionalização da gestão em organizações de Saúde brasileiras ainda está em fase inicial de desenvolvimento.

A gestão hospitalar madura requer principalmente integração, ao contrário do que se tem observado nas últimas décadas no Brasil, quando o foco do gerenciamento de unidades de Saúde foi desenvolvido em seus diversos setores de forma isolada.

Uma administração bem desenvolvida depende da existência de uma visão que envolva todas as áreas internas, a exemplo do que prega a medicina holística, que enxerga o indivíduo como um ser integrado. É preciso que elementos como tecnologia, pessoas, estratégia, governança e processos estejam todos interligados.

Em seu estudo Evaluating an Organization’s Business Process Maturity, de 2004, o consultor norte-americano Paul Harmon destacou que entidades maduras fazem as coisas de forma sistemática enquanto as imaturas alcançam seus objetivos como resultado de esforços heróicos de indivíduos, usando abordagens que eles mesmo criaram de maneira mais ou menos espontânea.

No Brasil, quando se fala em qualidade na gestão hospitalar, se pensa de imediato em investimentos em tecnologia, mas não em amadurecer o novo padrão de gestão que se quis empreender.

Na última década, a maioria dos hospitais brasileiros investiu na informatização das suas unidades. No entanto, isso nem sempre significou melhorias efetivas na administração das instituições.

A edição mais recente do estudo TIC Saúde, de 2015, revelou números que comprovam o nível de investimento. Segundo a pesquisa, 92% das unidades de Saúde do País têm computador, 85% utilizaram internet nos últimos 12 meses e 77% possuem sistema eletrônico para gerenciamento e armazenamento de informações de saúde dos pacientes.

O estudo é feito desde 2013 pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) e investiga a infraestrutura, a disponibilidade e aplicação das TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) em estabelecimentos de Saúde no Brasil.

A informatização dos hospitais contribui de forma significativa para seu melhor funcionamento e atendimento ao paciente, mas não resolve o problema da gestão e da qualidade como um todo.

A maturidade em gestão é obtida por meio da qualificação e capacitação de pessoas para que façam um melhor e mais efetivo uso das tecnologias.

Entretanto, o que se observa na prática é que a maioria das instituições de Saúde utiliza menos da metade dos recursos disponibilizados pelas soluções de gestão. O uso médio gira em torno dos 30% a 40%, segundo levantamento feito pela GesSaúde.

Para reverter essa realidade é preciso que existam bons e sólidos processos na execução de uma estratégia clara e definida, isso aliado a um sistema de governança capaz de permitir o acompanhamento da organização e das ações planejadas.

Benefícios de uma gestão madura

Em 2009, pesquisadores holandeses e espanhóis começaram a desenvolver um amplo estudo sobre a efetividade dos sistemas de melhoria da qualidade dos hospitais.

Eles elaboraram um tipo de classificação para avaliar os hospitais da União Europeia de acordo com seu nível de maturidade. O estudo foi publicado no British Medical Journal (BMJ), uma das mais importantes publicações sobre medicina no mundo. Em estudos posteriores, os pesquisadores avaliaram a contribuição dessa maturidade em diversos âmbitos.

De acordo com esses pesquisadores europeus, um sistema mais desenvolvido de melhoria da qualidade da unidade de saúde está associado até a menores taxas de complicações hospitalares.

Uma gestão mais madura e integrada também gera melhoria na rentabilidade da instituição na medida em que torna os processos e protocolos hospitalares mais eficientes. Esses elementos aumentam a competitividade e fazem a diferença no sucesso de uma instituição de Saúde.

A capacitação das equipes para aproveitar todo o potencial oferecido pela tecnologia possibilita a redução das glosas –diferença entre o custo de um serviço prestado e o valor pago por ele–, outro fator que colabora para uma maior lucratividade.

Diante disso, conclui-se que investir em maturidade da gestão hospitalar traz ganhos que superam a questão econômica-financeira, beneficiando instituição, funcionários e pacientes.

No entanto, para alcançar essas melhorias, é preciso lembrar que a atenção deve ir além da área tecnológica; é necessário cuidar dos diversos setores de uma entidade de saúde de forma coordenada tendo em vista um desenvolvimento integrado da instituição.


15 de Março de 2017 | Atualizado dia 15 de Março de 2017


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