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Mudança no modelo de remuneração pode auxiliar no engajamento da equipe médica

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Especialista avalia que, como negócio, um hospital bem gerido oferece qualidade nos resultados e satisfação do cliente

Por Editorial GesSaúde

O mercado de Saúde enfrenta um dilema quanto aos modelos de remuneração praticados atualmente. O modelo  atual de remuneração fee-for-service por exemplo, dificulta a adoção de um corpo clínico fechado. Os profissionais dessa área atendem diversas instituições, o que dificulta um engajamento estratégico. Considerando a adoção do modelo de remuneração por performance, em detrimento do sistema por pagamento atual, existe uma tendência do corpo clínico fechado ou misto na gestão das organizações de Saúde que buscam eficiência na área assistencial.

De acordo com o médico intensivista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (São Paulo), Fábio Bombarda, um modelo de remuneração por performance bem implementado pode reforçar a parceria entre médicos e a gestão do hospital. “A mudança no modelo de remuneração traz subjacente a parceria fundamental do médico no processo de gestão e vislumbra o hospital como ele realmente é, um negócio em saúde que, quando bem gerido traz  efetiva qualidade nos resultados e satisfação do paciente, objetivo final de todo o sistema”, argumentou o médico que entre outras titulações recebeu menção honrosa no Prêmio David Capistrano de 2015.

Para Bombarda, a transformação do modelo de remuneração vai permitir à equipe médica “compartilhar com o hospital a responsabilidade da sustentabilidade do serviço e a gestão ganha uma parceria fabulosa no desenvolvimento da empresa”. “Pensando nesta possível via final, há de se ter cautela na implementação destas mudanças a fim de manter a fidelidade, a parceria e a valorização do profissional médico para que sua relação com o hospital seja harmônica, segura e vantajosa para ambas as partes”, salientou o especialista.

Equipe fechada

O modelo baseado em performance também vai facilitar à gestão do hospital a adoção de um corpo clínico fechado. Um dos benefícios de se manter uma equipe em tal formato é o potencial da relação harmônica entre os profissionais, o que resulta diretamente no aumento da qualidade da assistência prestada ao paciente. Conforme Bombarda, “a melhor performance ocorre dentro de uma equipe harmônica, que deve ser bem valorizada e cheia de transparência porém, em círculo limitado de acordo com as necessidades do próprio grupo”.

Para conquistar tal eficiência, porém, a administração da instituição deve estar atenta aos princípios básicos de reconhecimento e gestão de recursos humanos. “A força de trabalho médico é sempre motivada por oportunidades de crescimento, desenvolvimento e estabilidade profissional. Acredito que a remuneração por performance deve funcionar plenamente se estiver dentro deste contexto, facilitado pela adoção de um corpo clínico fechado que, diferente do corpo clínico aberto, evita atividades profissionais de pouca adesão e uma medicina de baixo varejo”, explicou o médico.

O impacto da mudança do modelo de remuneração tem sido muito debatido apenas sob a ótica do faturamento e relação com a operadora mas, como observado pelo especialista, pode impactar diretamente a relação entre médicos e hospitais em sua forma e tipo de relacionamento. Por isso é tão importante neste momento avaliar todo o impacto na operação desta mudança, que se bem implementada pode ser um marco na qualidade assistencial com impactos positivos na relação médico x instituição.

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8 de outubro de 2018 | Atualizado dia 16 de outubro de 2018


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