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Plano de voo: como os hospitais poderão superar a turbulência em 2018?

Compartilhar experiências e aprender com os erros alheios ajuda hospitais a sobreviver em meio à tempestade de mudanças no cenário de Saúde brasileiro

por Roberto Gordilho

O setor de Saúde brasileiro está em turbulência. Essa aeronave enfrenta uma tempestade que promete mudar a forma como os hospitais funcionam e propor um novo modelo de cuidado, em um futuro que já começou. E como esse amanhã é agora, a decisão está em evoluir ou morrer na queda.

quatro principais desafios que os hospitais terão de enfrentar já a partir de 2018 para não interromper esse voo de forma trágica. O primeiro deles é a mudança do modelo de remuneração. Esqueça o pagamento por serviço (fee for service) – o desapego desse modelo, por si só, já é um desafio enorme, mas se trata de um processo que vem ocorrendo com sucesso em países desenvolvidos. Portanto, não há como voltar atrás.

O motivo é simples: a conta não fecha. No modelo fee for service, o risco pelo pagamento dos procedimentos é totalmente assumido pela operadora de Saúde – é ela quem arca com os gastos, mesmo que o hospital gaste “errado” ou em demasia, já que, se ele provar que o serviço era realmente necessário e foi prestado, a operadora é obrigada a pagar por ele. Com o pagamento por performance, o risco passa a ser dividido entre hospital e operadora, já que a remuneração está vinculada à efetividade do tratamento.

Essa mudança tem impacto em toda a cadeia de Saúde e acaba por trazer o segundo desafio para os hospitais: a tendência de esgotamento do modelo de monetização. Atualmente, a maior parte da receita e do resultado são obtidos pela “venda” de materiais, medicamentos e OPMEs (Órteses, Próteses e Materiais Especiais), o que torna as organizações grandes distribuidoras. Com a falência desse modelo, os hospitais voltarão a ser, de fato, prestadores de serviços, no sentido de onde vem o dinheiro.

O terceiro desafio está em fazer tudo isso em meio à transformação digital. Assim como piloto automático não garante que o voo  esteja a salvo, o hospital não deve apenas investir em hardware e software e achar que, assim, todos os problemas estarão resolvidos. Transformação digital vai muito além de implantar novas tecnologias – estamos falando de impressoras 3D, computação cognitiva, mas também de mudança do perfil do consumidor e necessidade de uma gestão muito mais profissionalizada. A inovação deve trabalhar a favor dos processos com finalidades que são a principal preocupação de todo o hospital: melhorar a qualidade do atendimento e a segurança do paciente.

O quarto desafio é se manter vivo e relevante no cenário de consolidação atual do mercado, com grandes redes comprando hospitais por todo o Brasil. As perguntas que ficam são: o que acontecerá com meu hospital? Será comprado? Terá uma forte concorrência? Como ficará meu negócio?

São desafios de tirar o sono de qualquer gestor. A boa notícia é que há caminhos para superá-los, entre eles a parceria de resultados, um modelo de trabalho no qual as instituições se unem com um objetivo específico para potencializar e alcançar resultados que, individualmente, seriam mais difíceis ou inviáveis.

Com metodologia adequada, a troca de conhecimentos e experiências entre os hospitais é capaz de abrir a mente dos gestores e ajudá-los a atravessar a turbulência sem danos, com responsabilidade, qualidade e resultado. Afinal, como diz o provérbio chinês, inteligência é aprender com os próprios erros, mas sabedoria é aprender com os erros dos outros.

É preciso avançar na profissionalização e na criação de um modelo de eficiência baseado em processos. Para garantir conhecimento e eficiência, não existe piloto automático, mas sim um plano de voo assertivo. Ele contempla melhoria da governança corporativa, definição de planejamento estratégico, mapeamento e gerenciamento de processos, inovação e tecnologia e, envolvendo tudo isso, a gestão de pessoas. São os pilares essenciais para se evoluir a maturidade de gestão hospitalar.

Compartilhar informações é fazer com que todos evoluam juntos. É garantir que o hospital continuará vivo. É fazer a conta fechar. Não há como fugir das mudanças, mas o piloto que vai sobreviver é aquele que conseguir seguir em frente mesmo com as adversidades.

Você está pronto para isso? Ou vai deixar a aeronave cair?

Roberto Gordilho é fundador da GesSaúde, mestrando em administração, especialista em sistemas de informação, engenharia de software, desenvolvimento web e em finanças, contabilidade e auditoria, possui mais de 30 anos de experiência nas áreas de tecnologia e gestão, sendo 15 na área da Saúde.

Saiba mais:

2017: o ano da maturidade de gestão hospitalar

Gerenciamento de processos em hospitais na era da transformação digital

Fusões e aquisições como estratégia empresarial e o impacto sobre o paciente

Foto: Pixabay


4 de Janeiro de 2018 | Atualizado dia 3 de Janeiro de 2018


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