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Plano terapêutico: todo paciente merece um para chamar de seu

Documento facilita a comunicação entre profissionais e pacientes e o gerenciamento administrativo de leitos

por Alexandre Bomfim

No artigo de hoje, a proposta é conversarmos um pouco sobre um assunto que tem sido muito abordado pelo setor de Saúde em geral: a adoção de planos terapêuticos para os pacientes. Desde a edição de 2014 do manual da Organização Nacional de Acreditação (ONA), os avaliadores passaram a cobrar das instituições a adoção de planos terapêuticos para 100% dos pacientes. Mas, muito mais que a questão da certificação, esses documentos vêm se mostrando excelentes ferramentas de comunicação na assistência e de gerenciamento de leitos.

Antes de mais nada, precisamos esclarecer que não estamos tratando do plano terapêutico singular, adotado no Sistema Único de Saúde (SUS) para os casos de alta responsável (ou alta qualificada), mas sim de uma ferramenta a ser aplicada ao longo do período de internação e para todos os pacientes.

O plano terapêutico tem três características importantes e fundamentais:

  1. É elaborado de forma multiprofissional. Quando isso não é possível (por conta de diversos fatores presentes no dia a dia dos hospitais), o médico deve formulá-lo. Portanto, é fundamental a participação do corpo clínico.
  2. Deve ser realizado o mais precocemente possível, no momento da solicitação da internação ou, no mais tardar, na admissão do paciente na unidade.
  3. Deve ter metas claras e mensuráveis de todo o processo terapêutico, não apenas da alta. Exemplos: “antibioticoterapia endovenosa por sete dias, sem febre em 48 horas, alta em seguida” ou ainda “extubação em 24 horas, alta da UTI no D2 de pós-operatório”.

O plano terapêutico deve ainda responder à pergunta: “o que queremos para esse paciente?” Esse é um questionamento inconsciente que todo médico faz ao se deparar com um caso novo ou ao solicitar a internação de alguém. O problema é que a resposta não pode ficar só com ele, mas deve, sim, ser compartilhada com toda a equipe multiprofissional e com o próprio paciente.

Logo, conclui-se que o plano terapêutico é uma ferramenta híbrida, com função tanto na comunicação entre profissionais e pacientes quanto na parte administrativa do gerenciamento de leitos. Ele deve ser revisitado toda vez que ocorre alguma alteração no quadro clínico ou não se consegue cumprir determinada meta. Precisa contar com indicadores de adesão (com percentual dos pacientes que têm plano devidamente conhecido) e de performance (com percentual de metas atingidas). E, finalmente, é necessário que figure nas estratégias de engajamento dos pacientes e nos processos de humanização, seja com um quadro de metas diárias, seja na avaliação de experiência ou qualquer outro método utilizado pela instituição.

Alexandre Bomfim é médico, gestor de serviços de Saúde, consultor na Papaia Azul Gestão em Saúde, avaliador pela ONA e preocupado com uma assistência mais segura.

 

Saiba mais:

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Gerenciando médicos: reflexões sobre os papéis de diretor técnico e diretor clínico

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Foto: Shutterstock


14 de junho de 2018 | Atualizado dia 2 de agosto de 2018


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