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Segurança do paciente e a realização da cirurgia segura

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Seguir protocolos estabelecidos pelos órgãos especializados em Saúde, como a OMS, minimiza a incidência de eventos adversos durante a cirurgia

Por Priscilla Martins

Com os avanços tecnológicos vivemos em uma era que o número de cirurgias robóticas estão aumentando de forma significativa em diversas especialidades, além da possibilidade da realização de cirurgias à distância em que o cirurgião encontra-se em local diferente do centro cirúrgico em que está o paciente. Sabemos que toda esta tecnologia gera ganhos ao paciente, que passa por procedimentos cirúrgicos cada vez menos invasivos, e de certa forma mais seguros, pois diminui os riscos de sangramentos e infecções, além de propiciar menor desconforto no pós-operatório devido às condições da cirurgia que também podem facilitar menor tempo de internação pós-cirúrgica.

Todos os ganhos trazidos pelos avanços tecnológicos são importantes, mas não podemos nos esquecer que estes benefícios sempre devem ser somados às práticas que garantem segurança para a cirurgia. Entre as metas internacionais de segurança do paciente definidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) está a identificação correta do paciente antes da intervenção cirúrgica: as equipes devem garantir que o paciente certo esteja no centro cirúrgico, que o local de intervenção cirúrgica no paciente seja o correto e que o método de intervenção seja o indicado para o caso clínico do paciente.

Os erros assistenciais podem ocorrer devido falta de estrutura, equipe sem treinamento adequado e processos desestruturados. Portanto, é sempre importante frente aos casos de eventos adversos discutir sobre a segurança do paciente. Devido à ocorrência de diversos erros relacionados aos procedimentos cirúrgicos, este assunto está sempre em discussão pela OMS que orienta realização de check lists de verificação. De acordo com o órgão internacional existem 10 objetivos essenciais na realização do processo de cirurgia segura:

  • Operar paciente e local corretos;
  • Impedir danos na administração de anestésicos e realizar o controle da dor;
  • Possuir equipe preparada para perda da via aérea ou função respiratória;
  • Possuir equipe preparada para grandes perdas sanguíneas;
  • Possuir equipe preparada para evitar indução a efeitos adversos ou reações alérgicas;
  • Evitar infecções em sítio cirúrgico;
  • Impedir a retenção de compressas e equipamentos em sítios cirúrgicos;
  • Identificar as peças cirúrgicas retiradas;
  • Orientar o diálogo entre a equipe para promover a cirurgia segura;
  • Estabelecer vigilância sobre os números e resultados dos tratamentos cirúrgicos realizados, por parte das instituições.

Com base na recomendação da OMS o Ministério da Saúde elaborou o protocolo de cirurgia segura, que deve ser aplicado em todos os estabelecimentos de Saúde que realizem procedimentos terapêuticos ou diagnósticos em que sejam realizadas incisões no paciente ou em que sejam realizadas introduções de aparelhos endoscópicos, sejam eles dentro ou fora do centro cirúrgico por todos os profissionais de saúde.

As listas de verificação devem ser realizadas minimamente em três momentos:

  • Antes da Indução Anestésica (Sing In)
  • Antes da Incisão Cirúrgica (Time Out)
  • Antes da Saída do paciente da sala (Sing Out)

O recomendado é que exista uma pessoa responsável por conduzir a realização dos checklists e que valide as informações para que seja realizada a próxima etapa. A cada etapa existem itens específicos que devem ser conferidos conforme a recomendação e com base nestes itens as instituições de saúde podem incluir seus próprios critérios.

O processo de realização dos checklists oferece barreiras que irão aumentar a segurança e minimizar os efeitos adversos, mas estes processos devem ser sempre revistos e acompanhados pela instituição para que novas práticas também possam ser adotadas ao longo do tempo, como por exemplo, separar os pacientes conforme lateralidade dos procedimentos. Com a realização dos procedimentos de cirurgia segura devem ser acompanhados e monitorados os seguintes indicadores:

  • Percentual de pacientes que receberam antibioticoprofilaxia no momento adequado;
  • Número de cirurgias em local errado;
  • Número de cirurgias em paciente errado;
  • Número de procedimentos errados;
  • Taxa de mortalidade cirúrgica intra hospitalar ajustada ao risco;
  • Taxa de adesão à Lista de Verificação.

Espera-se que todas as organizações de Saúde, público ou privadas, realizem atividades voltadas para a qualidade da assistência e segurança do paciente, e que as atividades do protocolo de cirurgia segura sejam seguidas de acordo com a recomendação da OMS e do Ministério da Saúde.

Priscilla Martins é enfermeira, especialista na área assistencial e consultora da GesSaúde. É classificadora de risco pelo protocolo de Manchester; especialista em enfermagem com ênfase em nefrologia e pós graduada em Gerenciamento de projetos.

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21 de fevereiro de 2019 | Atualizado dia 21 de fevereiro de 2019


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