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SWOT, BCG e 5 forças de Porter como estratégia empresarial no hospital

Por Adriele Marchesini

Uso de metodologias auxilia gestores a planejar e tomar decisões que levam à evolução da maturidade de gestão hospitalar

Por editorial GesSaúde

Planejar é parte importante do cotidiano de qualquer empresa. Sendo assim, os hospitais também podem – e devem – adotar o planejamento estratégico como um hábito rumo à maturidade de gestão hospitalar. Com o uso das metodologias Swot, BCG e 5 forças de Porter, é possível avaliar qual modelo de negócio deve ser seguido, quem é o público-alvo, quais são os serviços que mais geram receita e, ainda, identificar oportunidades e ameaças de um mercado cada vez mais competitivo.

O papel da análise Swot (iniciais de forças – strengths– , fraquezas – weakness, oportunidades – opportunities e ameaças – threats) é analisar a situação da organização de dois pontos de vista: interno, identificando as forças e fraquezas, e externo, elencando as oportunidades e ameaças às quais a instituição está sujeita. A técnica foi fundamentada por Kenneth Andrews e Roland Christensen com o objetivo de aprimorar o planejamento estratégico empresarial, que era bastante estimulado nas escolas tradicionais norte-americanas ao longo das décadas de 1960 e 1970.

O professor André Luiz Barbosa da Silva, do curso de administração do Centro Universitário São Camilo, destaca que a metodologia pode ser aplicada às organizações de Saúde com sucesso. “A matriz Swot analisa a situação da empresa e também a do mercado. No caso dos hospitais, é interessante principalmente durante crises financeiras, como a enfrentada pelo País nos últimos anos, ocasião em que muitos trabalhadores ficam desempregados e, consequentemente, perdem seus planos de Saúde. O gestor precisa estar atento a esse acontecimento para adaptar suas estratégias, já que esse comportamento do mercado pode ser visto tanto como oportunidade quanto ameaça. Depende da forma como será trabalhado internamente”, explica.

A metodologia também auxilia hospitais no caso da ampliação da rede de atendimento por meio de fusões, prática comum no mercado atual. “A matriz ajuda a definir onde é necessário investir e de que forma fazer isso a fim de garantir a sustentabilidade financeira da instituição”, comenta Silva.

Foco no serviço

O especialista destaca que, no caso de um serviço oferecido pelo hospital, a metodologia BCG (de Boston Consulting Group, empresa para a qual Bruce Henderson desenvolveu o método nos anos 1970) pode oferecer resultados positivos. Ela é baseada no ciclo de vida dos produtos ou serviços, em sua participação no mercado e no potencial de crescimento. O objetivo é determinar quais ações tomar em relação a cada um dos produtos, serviços ou unidades de negócios que fazem parte da organização.

Dentro do universo hospitalar, Silva cita como exemplo um hospital que possui um setor de maternidade com alto investimento, mas retorno baixo, já que o número de nascimentos está em queda. Por outro lado, esse mesmo hospital identifica que o setor de oncologia apresenta alta demanda e traz mais receita para a organização. “Com a matriz BCG, é possível definir em que setores, serviços ou unidades o hospital colocará sua energia e investimentos a fim de obter os melhores retornos do mercado, bem como quais serão reformulados ou descontinuados.”

Foco na concorrência

Outra estratégia empresarial que pode trazer resultados positivos quando utilizada pelos gestores hospitalares é o modelo das 5 forças de Porter. Ele foi desenvolvido para analisar a concorrência entre empresas e seu funcionamento considera cinco fatores – as cinco forças competitivas – que devem ser detalhadamente avaliados para que, então, surja uma estratégia empresarial eficaz. Criado no final dos anos 1970 pelo professor de Harvard Michael Porter, o modelo se difundiu rapidamente como recurso completo para se analisar um ambiente competitivo.

De acordo com Silva, no hospital a ferramenta auxilia gestores a identificarem as ameaças de novos entrantes e produtos substitutos, o poder de barganha dos fornecedores e dos compradores e a rivalidade entre os concorrentes existentes. “A relação do hospital com a operadora de Saúde é um processo clássico que pode obter melhorias por meio da aplicação da metodologia, a fim de identificar quais são os problemas que estão levando a glosas, por exemplo”, comenta.

O especialista acredita que as três metodologias são complementares e podem trazer resultados positivos para todos os tamanhos e formatos de hospitais. Aqueles que não contam com planejamento estratégico de médio e longo prazo tendem a trabalhar com processos intuitivos, que podem levar a erros. Para evitá-los, esses três modelos de estratégias empresariais podem ajudar a evoluir a maturidade de gestão hospitalar e alavancar o planejamento estratégico das organizações.

Saiba mais:

Hospital: como o planejamento estratégico eleva receita sem ampliar investimentos

Maturidade de gestão hospitalar é algo que se conquista

Maturidade de gestão hospitalar: como tornar a administração mais eficiente

Imagem: Pixabay


11 de julho de 2017 | Atualizado dia 11 de julho de 2017


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