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Transformação digital: telemedicina muda dinâmica da Saúde

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Especialista aponta necessidade de adaptação de todos os envolvidos no mercado com nova forma de atendimento

Por Editorial GesSaúde

O Conselho Federal de Medicina aprovou, no início de fevereiro, a resolução nº 2.227/18, que estabelece regras para a prática da telemedicina no Brasil. Na prática, a legislação agora permite que médicos realizem online telecirurgias e telediagnóstico, entre outras formas de atendimento médico à distância. Essa nova etapa da transformação digital promete alterar profundamente o setor, exigir requalificação de profissionais e adaptação de hospitais e operadoras. A nova forma de atendimento, conforme especialistas, é uma tendência que já está em prática em diversos países e, no Brasil, vai propor novas formas de relacionamento entre hospitais, operadoras, pacientes e médicos.

A telemedicina, no primeiro momento de sua aplicação, otimiza principalmente o atendimento básico. De acordo com o professor da Faculdade Getúlio Vargas (FGV) e especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja, o atendimento online causará uma revolução na Saúde do País. “A telemedicina vai otimizar a Saúde como modelo de negócio. Trata-se de um dos setores mais complexos da economia, que tem uma equação que não fecha. Os médicos querem ser mais valorizados, hospitais passam por dificuldades financeiras, trabalhadores querem receber mais e usuários encaram um custo crescente na Saúde. Tem muito gargalo, muita má administração”, comentou.

Para o paciente, a transformação digital, e a telemedicina como resultado, vão mudar a forma de relacionamento com o médico. Mas, para tanto, conforme o especialista, os profissionais terão de se capacitar e adaptar. “O relacionamento ganha em celeridade, mas perde em proximidade. Não adianta colocar o médico atrás de uma câmera e ele oferecer o mesmo atendimento de antes. Esse profissional terá de estar ciente de que a preocupação do paciente será dobrada por conta do afastamento, da perda dos sentidos do canal de comunicação. Mas a Saúde terá muito mais ganhos que perdas.”

Conhecimento

Pela avaliação de Igreja, o mercado nacional já sente as mudanças causadas pelo impacto da tecnologia. Em diferentes setores o cliente já não se comporta como agente passivo do negócio. As informações estão mais acessíveis, o que não é diferente na Saúde. “O que vem mudando é a simetria de conhecimento. Até então tudo o que o médico falava era um grande enigma. O vocabulário é muito distinto, são mundos que se afastam. O que a tecnologia tem feito é favorecer a troca de informações e o conhecimento. Assim como esse novo consumidor vai comprar um carro ou falar com o gerente do banco com mais detalhes sobre o que quer, ele também está mais empoderado em relação à sua saúde e bem-estar”, explicou o docente da FGV.

Igreja reforça ainda o poder de escalar a atenção primária com essa nova configuração de sistema, com pacientes mais empoderados e a tecnologia como meio. “A telemedicina vai fazer uma grande diferença, pois vai promover uma grande escala, principalmente no atendimento básico. Assim como já acontece em diversos países, como a África, por exemplo, excelentes profissionais de medicina vão chegar a lugares remotos, exatamente onde eles são mais necessários. O setor ainda verá o aumento do suporte de médicos mais capacitados a médicos iniciantes. Enfim, é uma grande revolução que está acontecendo na Saúde e o Brasil não podia ficar de fora.”

Resta agora aos hospitais e demais players do sistema de Saúde nacional se adaptar para garantir que, mesmo a distância, a assistência não perca a qualidade necessária exigida por um paciente cada vez mais empoderado.

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7 de fevereiro de 2019 | Atualizado dia 20 de abril de 2019


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