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Comissões: muito além da obrigatoriedade

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Grupos bem estruturados e geridos com maturidade promovem ações educativas, identificam fragilidades e promovem melhorias no hospital

por Alexandre Bomfim

Olá pessoal, mais uma vez agradeço à GesSaúde a oportunidade para debater um tema que vem ganhando espaço no cenário da administração em Saúde: a contribuição das comissões obrigatórias para a estratégia e gestão das instituições.

Sabemos que existem várias comissões que têm sua existência e funcionamento normatizados por resoluções, portarias e outros dispositivos de força legal,  de tal sorte que são consideradas obrigatórias conforme a características do serviço de Saúde. As mais conhecidas são as de controle de infecção hospitalar, de prontuários, de revisão de óbitos, de ética, entre outras. Não vamos aqui entrar na normativa de cada uma delas e em que situações sua presença e funcionamento se faz obrigatório, mas no conceito de que além de obrigatórias, elas podem (e devem) ser mais usadas.

Inúmeras vezes, em atividades de avaliação, nos deparamos com instituições que, com exceção da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), tem suas demais comissões apenas para cumprir a obrigação. Até estão constituídas, fazem reuniões periódicas, mas não agregam muito valor ao dia a dia, não se relacionam entre si, não sugerem planos de ação de melhorias ou promovem atividades educativas. Só funcionam para gerar atas que serão exibidas caso alguém questione a existência.

A maturidade de gestão irá perceber um grande desperdício nesse tipo de funcionamento, já que não raramente os membros das comissões obrigatórias são gestores, diretores, integrantes respeitados do corpo clínico e assistencial, que normalmente estão ali voluntariamente e sentem uma frustração enorme em não ver frutos daquela reunião periódica.

As comissões, obrigatórias ou não, podem ser grandes fontes de melhorias nos processos assistenciais e na garantia de sustentabilidade institucional. Em clientes de consultoria, sempre sugerimos que, além do “kit básico” de implementação de uma comissão – constituído pelo ato de nomeação, regimento interno, modelo de ata, existência e análise crítica de indicadores (do tema da comissão e do seu próprio desempenho) e do cronograma anual de reuniões – exista uma constante integração com a alta direção, com outras comissões, com o Núcleo de Segurança do Paciente e com as áreas envolvidas, assistenciais ou não.

Precisamos aprender a resolver nossos problemas e atacar nossas fragilidades em grupo, de forma multiprofissionais e superando barreiras hierárquicas que podem dificultar uma abordagem mais completa de uma determinada situação. O que se espera é que a comissão seja capaz de elaborar e gerenciar a execução de planos de ação, promover debates e mudanças na instituição, fomentar ações educativas e de reciclagem e ser espaço, até mesmo,  para a participação de representantes dos pacientes.

Se você tem perguntas, críticas, sugestões ou quer dar ideias para novas conversas, use os canais da GesSaúde ou entre em contato alexandre@papaiaazul.com.br.

Alexandre Bomfim é médico, gestor de serviços de Saúde, consultor na Papaia Azul Gestão em Saúde, avaliador pela ONA e preocupado com uma assistência mais segura.

 

Saiba mais:

Gerenciando médicos: reflexões sobre os papéis de diretor técnico e diretor clínico

Dos dados à tomada de decisão: a importância da informação em Saúde

5 desafios do gestor rumo à maturidade de gestão hospitalar

 

Foto: Shutterstock


8 de maio de 2018 | Atualizado dia 15 de outubro de 2018


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