Como detectar sinais de uma governança corporativa falha na Saúde - GesSaúde
Voltar

Como detectar sinais de uma governança corporativa falha na Saúde

Junte-se a mais de 15.000 profissionais de gestão da saúde.

Assine nossa lista e receba conteúdos com prioridade


Nível de profissionalismo do modelo é um dos principais fatores que determina a maturidade da gestão hospitalar

Por editoral GesSaúde

A governança corporativa tem como principal objetivo contribuir para o desenvolvimento econômico sustentável, melhorando o desempenho das empresas e facilitando o acesso a recursos. Na Saúde, o conceito é um dos fatores determinantes para se atingir a maturidade da gestão hospitalar. E é essencial detectar os sinais que indiquem falhas que comprometam o nível de profissionalismo do modelo.

De acordo com o paper “Maturidade em Governança Corporativa: diretrizes para um modelo preliminar”,  há cinco níveis de maturidade em governança corporativa, que indicam os pontos a serem considerados em um processo evolutivo do conceito.  Logo no primeiro nível destacado no material, um dos sinais mais evidentes de que o modelo tem falhas é a falta de um Conselho de Administração (CA) estabelecido. O CA tem objetivo de melhorar a qualidade das decisões estratégicas e contribuir para mitigar riscos, entre outros. Para que funcione, o conselho precisa ter autonomia em relação à gestão executiva, de forma a promover mudanças quando os resultados dos negócios indicarem essa necessidade, sem que haja conflitos de interesse.

Outro sinal de falha na governança corporativa é a ausência de um auditor independente da gestão para análise das demonstrações financeiras. A auditoria independente é considerada um importante agente de governança porque tem como objetivo principal verificar se as demonstrações contábeis preparadas e divulgadas aos públicos de interesse da empresa refletem a realidade da companhia.  Sem isso, não há como atestar se os resultados sofreram algum tipo de maquiagem ou não.

Mais uma evidência de que há problemas na aplicação do conceito é quando determinados executivos têm o poder de decidir sobre sua própria remuneração. O sistema de remuneração e incentivos é uma das mais potentes armas da governança corporativa de uma organização. Isso ocorre porque um dos propósitos do modelo é facilitar e estimular o desempenho das organizações, criando e mantendo incentivos que motivem os dirigentes e colaboradores das empresas a maximizar a eficiência operacional, o retorno sobre ativos e o crescimento da produtividade no longo prazo. Sendo assim, esse sistema determina o padrão de comportamento, e por consequência, os resultados da organização.

Avanços

Implantadas essas três ferramentas, considera-se que a organização de Saúde atingiu o primeiro nível da governança corporativa. É hora, então, de promover avanços a fim de evoluir para a almejada maturidade da gestão hospitalar.

Nesse processo evolutivo, há outros indicativos de problemas. O primeiro deles é quando a organização de Saúde não conta com um Conselho Fiscal (CF) permanente. O CF é importante porque seus integrantes têm como missão fiscalizar as ações praticadas pelos administradores e opinar sobre as contas da organização (demonstrações financeiras, modificações de capital, incorporação, entre outras). Para isso, os membros devem se reunir para analisar amplamente os assuntos de sua competência e emitir pareceres e manifestação a respeito. Qualquer acionista pode solicitar a instalação do CF e também sugerir a eleição de membros qualificados para compor seu quadro.

Outro sinal de avanço é o fato de que o CA passa a monitorar a implementação das recomendações referentes a demonstrações financeiras, controles internos, políticas e procedimentos, além de os mandatos do conselho e da diretoria executiva terem tempo determinado e recondução condicionada a alguma avaliação formal de desempenho.

O gestor pode perceber sinais de falhas no processo de avanço quando não há na organização de Saúde um profissional ou área dedicada ao tema governança corporativa. A ocupação dos cargos de diretor-presidente e presidente do CA pela mesma pessoa também é sinal de possível falha na implementação do modelo.

Excelência

Para alcançar a excelência da governança corporativa e dar passos mais seguros em relação a maturidade da gestão hospitalar, é preciso atingir o quinto nível da metodologia, que, entre outros aspectos, leva em consideração a não existência de dispositivos que restrinjam a substituição dos atuais administradores; a remuneração do CA é elaborada de acordo com o valor econômico gerado, os riscos assumidos  e não se baseia em resultados de curto prazo; há relatos periódicos trimestrais sobre a atuação e desempenho da companhia não restritos a informações econômico-financeiras; e todos os comitês são coordenados por um conselheiro independente.

Portanto, elaborar o checklist e verificar se há sinais de falhas na implantação de cada uma dessas ferramentas pode indicar o que é necessário mudar no processo de governança corporativa e, assim, evoluir o nível da maturidade da gestão hospitalar.

Saiba mais:

Os 5 níveis de maturidade da governança corporativa

O papel do gestor hospitalar em um contexto de governança corporativa

Governança corporativa: como otimizar a gestão hospitalar

Imagem: Depositphotos


27 de junho de 2017 | Atualizado dia 17 de janeiro de 2020


ÚLTIMAS POSTAGENS

Gestão da Saúde

Gestores extraordinários: o passo a passo para o sucesso

Roberto Gordilho apresenta curso inovador para todos que ocupam ou querem ocupar cargos de gestão e se tornarem gestores extraordinários…Leia mais.

Gestão da Saúde

Maturidade de gestão: vídeos mais acessados de 2019

Roberto Gordilho apresenta os conceitos mais relevantes para a maturidade de gestão na Saúde no canal GesSaúde do Youtube Por…Leia mais.

Gestão Hospitalar

Gestão hospitalar: 10 artigos mais lidos do Portal GesSaúde

2019 foi um ano de transformações na Saúde em que os principais conceitos de gestão hospitalar foram fundamentais para os…Leia mais.

Gestão da Saúde

Ação imediata: entenda como o gestor pode usar essa estratégia

Plano de ação imediata é uma ferramenta de correção de erros a fim de antever cenários e determinar a melhor…Leia mais.

Gestão da Saúde

O plano de ação para organizações de Saúde

Ferramenta de acompanhamento do planejamento, o plano de ação é fundamental para atingir metas e objetivos Por Editorial GesSaúde Como…Leia mais.

Estratégia Empresarial

Planejamento em Saúde: a importância de objetivos e metas bem definidas

Estabelecer metas, avaliar e metrificar resultados fazem parte do processo do planejamento em Saúde Por Editorial GesSaúde A operação dos…Leia mais.

Cadastre-se para ter acesso a conteúdos exclusivos