Voltar

Desafios da Saúde: o hospital como prestador de serviços

Junte-se a mais de 15.000 profissionais de gestão da saúde.

Assine nossa lista e receba conteúdos com prioridade


Com falência do fee-for-service, instituições devem colocar paciente no centro do modelo de monetização

por editorial GesSaúde

O fee-for-service, modelo de remuneração que ainda vigora no Brasil, estimulou a maioria dos hospitais a se tornarem grandes distribuidores, ao invés de prestadores de serviços. Em um sistema que paga por atividade executada, o resultado se baseia, em grande parte, na quantidade de materiais, medicamentos e de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPMEs) utilizada. Esse é um dos principais desafios da Saúde atual porque, com a necessidade cada vez mais evidente de um modelo de remuneração baseado em valor, essa prática de monetização não dará mais retorno financeiro.

“Apesar de ser o mais usado no Brasil, o fee-for-service não é o melhor modelo. Ele causa um número maior de glosas, já que as nossas instituições não têm maturidade dos processos nem organização eficiente de entrada e saída de recursos para cada um dos procedimentos”, explica Fernando Fernando Teles de Arruda, coordenador adjunto do curso de Medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). O modelo é falho ainda porque, conforme o especialista, deixa de reconhecer a qualidade da assistência – e, portanto, coloca o paciente em segundo plano.

Segundo Arruda, o pagamento por serviço não valoriza elementos como eficiência de gestão, maturidade e otimização de processos. “Recebendo por procedimento, há uma tendência a que o hospital venda aquilo que é mais rentável. Essa forma de monetizar coloca em risco a assistência, já que o foco é a obtenção de melhores negociações – e não a qualidade do atendimento e a segurança do paciente”, ressalta.

Entram em cena, então, outros modelos de remuneração, como o pagamento por performance, por episódio clínico (ou bundled payments) e per capita (ou captation). Para mais informações sobre eles, acesse o texto Desafios da Saúde: a adoção de novos modelos de remuneração.

Arruda destaca que a adoção de um modelo de remuneração por performance, por exemplo, tem resultados práticos no hospital: redução de erros e eventos adversos, cirurgias mais seguras, aumento da rotatividade de leitos, melhora da relação entre médico e paciente e menores chances de infecções hospitalares. “A equipe está preocupada com os resultados, com a alta do paciente e com a qualificação da assistência”, explica. Com isso, o modelo de monetização também muda, passando a ter a prestação do serviço com qualidade como principal forma de rentabilizar.

De distribuidor a prestador

Para que os hospitais se tornem, de fato, prestadores de serviços e não apenas distribuidores, devem passar por profundas mudanças internas. É preciso tornar os processos mais enxutos, otimizar recursos, utilizar indicadores e, principalmente, adotar uma nova cultura que passe a ter como foco a eficiência e a resolutividade. “São aspectos alcançados somente por organizações mais maduras. Sem essas e outras mudanças, novos modelos de pagamento e monetização não podem ser adotados”, ressalta Arruda.

A cultura é a chave da mudança porque os profissionais precisam entender que o mais importante é entregar resultados de qualidade e segurança, e não obter receita pela venda de materiais e maximização de procedimentos. A partir daí, os hospitais podem começar a discutir novos modelos e obter resultados financeiros justamente daquilo para o que foram criados: prestar serviços de saúde.

A base proporcionada pela maturidade de gestão permitirá focar na resolutividade da assistência, independentemente da venda de medicamentos e OPMEs. Afinal, o paciente é o centro do negócio e sua principal razão de existir. Para chegar lá, ainda é preciso redesenhar os processos internos e identificar os gargalos. Os hospitais devem ter um bom controle das finanças, uma base sólida de dados e um padrão de protocolos clínicos. “O papel do gestor, das equipes e dos gerentes é trabalhar processos de otimização para implantar um novo sistema, que permita ter todos os processos mapeados e traga ganho de eficiência”, explica Arruda.

A eficiência, inclusive, é fundamental nessa caminhada. “Ao implantar qualquer processo, não se pode desconsiderar a essência da organização, que é a prestação de serviços à assistência e o cuidado. Ao olhar apenas para o administrativo e gerencial, corre-se o risco de desprezar o cuidado. Se a atenção for exclusiva para o cuidado, há o risco de perder o controle administrativo”, ressalta o especialista.

O desafio da Saúde, portanto, é encontrar o equilíbrio e enxergar o hospital em sua totalidade, como um organismo complexo cujo objetivo é o resultado baseado em quatro pilares: segurança do paciente, qualidade do atendimento, eficiência dos processos e financeiro.

 

Saiba mais:

Desafios da Saúde: transformação digital não acontece sem maturidade de gestão

Como as tecnologias digitais abrem possibilidades para negócios em Saúde

5 desafios do gestor rumo à maturidade de gestão hospitalar

Foto: Depositphotos


21 de junho de 2018 | Atualizado dia 16 de outubro de 2018


ÚLTIMAS POSTAGENS

Gestão da Saúde

Remuneração por valor: maior segurança para o paciente e para o negócio

Especialista explica como as organizações de Saúde podem se beneficiar de novos modelos de remuneração Por Editorial GesSaúde Os custos…Leia mais.

Gestão da Saúde

Programa Formação de Gestores da Saúde vai contribuir para alavancar a carreira dos gestores da Saúde

A gestão da Saúde está passando por grandes transformações e os profissionais mais preparados vão aproveitar as novas oportunidades de…Leia mais.

Gestão da Saúde

Roberto Gordilho lança Formação de Gestores da Saúde para transformar excelentes técnicos em gestores extraordinários

A gestão da Saúde está passando por transformações e os profissionais mais preparados vão ter as melhores oportunidades de carreira…Leia mais.

Cadastre-se para ter acesso a conteúdos exclusivos