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Fôlego para as filantrópicas: momento de repensar a estratégia 

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Se aprovada, a linha de crédito para as organizações filantrópicas abre oportunidade para repensar a estratégia de gestão e investir em profissionalismo

Por Roberto Gordilho

O Presidente da Michel Temer assinou dia 17/08 a medida provisória (MP) que cria uma linha de crédito específica para as Santas Casas e hospitais filantrópicos. O limite é de 5% do orçamento anual do FGTS, o que, apenas neste ano, rende cerca de R$ 4 bilhões. A cifra pode até parecer alta, porém, é incompatível com o montante do endividamento dessas organizações, principalmente das Santas Casas.

Apesar de a criação da MP ser vista por muitos como uma notícia positiva, é preciso, antes de tudo, analisar o cenário. A linha de crédito foi elaborada, conforme o próprio presidente, para dar um “fôlego” às entidades. Isso porque as dívidas são altas. Em artigo publicado no dia 21 de agosto, o jornal O Estado de São Paulo informou que, em 15 anos, as Santas Casas acumularam R$ 21 bilhões em dívidas. Além disso, ainda conforme a publicação, foram fechados 11 mil leitos no período. Diante dos números, é preciso repensar o que faz as filantrópicas operarem há tanto tempo no vermelho.

É o momento de as Santas Casas perceberem que são um negócio de Saúde. E como tal, devem ser gerenciadas com profissionalismo, uma vez que têm as mesmas obrigações que qualquer outra organização privada: equilíbrio orçamentário, realizar melhorias e investimentos em tecnologia e em diversos departamentos, garantir a eficiência das ações, elaborar planejamento estratégico, gerir pessoas, ter governança e deve ser eficiente, ter planejamento estratégico, gerir pessoas, e garantir as boas práticas de gestão.

Se aprovada pelo Congresso, a MP vai permitir não apenas um fôlego, mas também um ambiente propício para que as filantrópicas planejem uma estratégia de gestão, calçada por processos claros, integração de equipes, fiscalização de gastos e uso racional de insumos, além de melhor atenção aos profissionais. Isso para citar o básico. As Santas Casas são uma importante porta de atendimento para a população. Tanto que representam mais de 50% dos atendimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) – cuja tabela está desatualizada há mais de 10 anos.

A MP é uma janela de oportunidade para evolução. E para isso, a gestão deve ser profissionalizada e estar focada para aumentar a Maturidade de Gestão. Para isso, é preciso levar em consideração e investir no desenvolvimento dos cinco pilares da maturidade: governança corporativa, estratégia empresarial, tecnologias de gestão, gerenciamento de processos e gestão de pessoas.

Neste contexto as finanças só podem ser equilibradas se a gestão de todos os demais departamentos (recursos humanos, contabilidade, etc.) estiver focada é pautada em eficiência e redução de todo tipo de desperdício. E, para isso, são fundamentais a profissionalização da gestão. Mesmo que o modelo de operação seja a filantropia, essas entidades têm de construir um modelo de operação que viabilize sustentabilidade para o negócio. Não se trata de pensar em lucro, mas sim em manter as contas em dia para que o objetivo central dessas organizações não seja perdido, qual seja, o atendimento de qualidade e acessível aos pacientes.

As Santas Casas podem, sim, ganhar “fôlego” com a linha de crédito que está por vir. Mais que isso, estão diante de uma oportunidade de botar a casa em ordem para que saiam do vermelho.

Roberto Gordilho é professor, palestrante, CEO da GesSaúde, apresentador do Canal GesSaúde no Youtube e autor do livro Maturidade de Gestão Hospitalar e Transformação Digital: os caminhos para o futuro da Saúde.

 

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28 de agosto de 2018 | Atualizado dia 15 de outubro de 2018


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