Voltar

Governança corporativa e a dicotomia do modelo de remuneração hospitalar

Junte-se a mais de 15.000 profissionais de gestão da saúde.

Assine nossa lista e receba conteúdos com prioridade


Maturidade de gestão deve anteceder mudança do fee for service para a remuneração por performance e, assim, preparar a instituição para o novo modelo

por editorial GesSaúde

O setor de Saúde brasileiro vivencia uma dicotomia que compromete seu desenvolvimento:  de um lado, quanto mais demandado, maior será a receita dos hospitais; do outro, quanto menos o usuário busca atendimento, mais as operadoras e o Sistema Único de Saúde (SUS) economizam. Em meio a esse conflito de interesses está o paciente, que espera do sistema, seja ele público ou privado, um atendimento seguro e de qualidade. A mudança no modelo de remuneração hospitalar – de pagamento por serviço (fee-for-service) para pagamento por performance – é alternativa amplamente debatida no País como saída para a resolução do impasse.

O fee-for-service foi criado nos Estados Unidos na década de 1930 e estabelece que haja uma tabela, com valores pré-definidos, para a remuneração de cada procedimento, como exame, internação, cirurgia, consultas. O modelo estimula a produtividade, em detrimento, muitas vezes, da qualidade. O formato também traz ineficiência ao backoffice, já que operadoras de Saúde e SUS exigem uma série de documentos que comprovem a necessidade dos procedimentos, o que eleva tanto a incidência de glosas quanto a não autorização da prestação do serviço.  

Segundo relatos históricos, o pagamento por performance foi instituído na década de 1990, na Austrália. Por fazer parte de um sistema mais amplo, baseado em valor (value-based payment), prioriza a qualidade da assistência na quantia paga pela operadora ou pelo SUS ao hospital. A avaliação é feita por meio da soma da qualidade assistencial e do custo compatível, portanto, quanto melhor a assistência e menor o custo para a prestação do serviço, maior a percepção de valor e, portanto, a remuneração.

Além do pagamento por performance, há outras alternativas sob o conceito de pagamento baseado em valor em discussão ao redor do mundo:

  • Pagamento por capitação (capitation): provedores de serviços recebem um valor fixo por paciente, em uma área de abrangência e determinado período de tempo.
  • Pagamento por pacote de serviços (bundle): valores fixos por procedimento e pelo ciclo do cuidado, desde antes da internação até um período que pode variar de 6 meses a um ano pós-alta.
  • Pagamento por diagnóstico (Diagnosis Related Groups – DRG): tem como base a Classificação Internacional de Doenças (CID) e o pagamento é feito de forma integral, considerando o diagnóstico.

Maturidade da gestão

A mudança do modelo de remuneração é debatida há alguns anos no Brasil. Enquanto o setor não entra em consenso sobre o assunto, aderir às metodologias de governança corporativa representa um passo rumo à redução de glosas e à garantia de bom funcionamento da instituição, seja ela pública ou privada. Com essas ferramentas é possível:

  • Aumentar o controle sobre procedimentos realizados e documentação coletada, o que facilita a relação com a fonte pagadora (operadora de Saúde ou SUS);
  • Instituir protocolos clínicos, que elevam a eficiência do atendimento e da segurança do paciente;
  • Acompanhar constante os conselhos fiscal e de administração, o que garante melhoria constante de processos;
  • Ampliar a clareza sobre as demandas, o que gera um relacionamento mais claro com fornecedores a respeito de quantidade de insumos que precisam ser adquiridos.

Como um dos fatores que geram glosas é a não comprovação da necessidade dos procedimentos, a maturidade de gestão prepara as organizações para, entre outros fatores, evitar que isso aconteça. A rotina de urgência vivenciada pelas instituições cobra dos colaboradores mais atenção no cumprimento das atividades como, por exemplo, no lançamento na conta de medicamentos e demais insumos utilizados no atendimento dos pacientes. Uma gestão madura e com visão holística sobre o funcionamento da organização usa as ferramentas de governança para melhorar a comunicação entre equipes e facilitar os processos para os colaboradores – abrindo caminho para a mudança do modelo de remuneração.

Saiba mais: 

Gestão de risco em hospitais: passo a passo para implantação

Governança corporativa e a relevância do conselho fiscal para o hospital

Hospital: conheça os efeitos colaterais da falta de governança corporativa

Foto: Freepik


13 de março de 2018 | Atualizado dia 16 de outubro de 2018


ÚLTIMAS POSTAGENS

Gestão da Saúde

Remuneração por valor: maior segurança para o paciente e para o negócio

Especialista explica como as organizações de Saúde podem se beneficiar de novos modelos de remuneração Por Editorial GesSaúde Os custos…Leia mais.

Gestão da Saúde

Programa Formação de Gestores da Saúde vai contribuir para alavancar a carreira dos gestores da Saúde

A gestão da Saúde está passando por grandes transformações e os profissionais mais preparados vão aproveitar as novas oportunidades de…Leia mais.

Gestão da Saúde

Roberto Gordilho lança Formação de Gestores da Saúde para transformar excelentes técnicos em gestores extraordinários

A gestão da Saúde está passando por transformações e os profissionais mais preparados vão ter as melhores oportunidades de carreira…Leia mais.

Cadastre-se para ter acesso a conteúdos exclusivos