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Inteligência artificial na saúde: reduzindo a variabilidade do cuidado

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Marcelo Lancerotti*

Já se foi o tempo em que a inteligência artificial era exclusividade dos filmes de Hollywood. Não há dúvidas de que os algoritmos e a inteligência artificial agregam valor a qualquer negócio ou segmento. E na área da saúde, isso não é diferente. Com base em seu extraordinário potencial para redesenhar o sistema de saúde atual, os investimentos nessas tecnologias estão em alta e explodindo em popularidade. Os impactos são inúmeros e vão desde as reduções de custos, melhorias na qualidade até a redução da variabilidade do cuidado. 

 

De acordo com um relatório recente da Accenture, a inteligência artificial na saúde é um componente-chave dentro da tecnologia da informação e, sozinha, pode ser responsável por gerar uma economia de US$150 bi até 2026 para a saúde americana. O mesmo relatório prevê que o crescimento da sua aplicação no mercado de saúde atinja US$6,6 bilhões até 2021 – o que representa uma taxa anual de 40%. No Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (Abimed), a adoção de tecnologias – incluindo inteligência artificial e algoritmos -, deve crescer entre 5% e 7% em 2019. 

A inteligência artificial ajudando na redução da variabilidade do cuidado

A ausência de um padrão de protocolos clínicos é apontada como a principal causadora da variabilidade do cuidado, e estudos apontam que esse problema corresponde entre 14% e 16% do gasto total em saúde nos EUA. A Advisory Board, empresa de melhores práticas que usa uma combinação de pesquisa, tecnologia e consultoria para melhorar o desempenho das organizações de assistência médica, após uma análise sobre a variabilidade do cuidado em 468 hospitais, concluiu que entregando cuidados em linha com as melhores práticas de hospitais de alta qualidade, uma instituição pode economizar cerca de US$29 milhões/ano. Esse problema, como disse, acontece em todo mundo, e no Brasil, não é diferente.

Sabemos que a inteligência artificial e os algoritmos podem propiciar inúmeras vantagens, ajudando os profissionais da saúde a encontrarem respostas para casos complexos. Com os subsídios necessários para que os profissionais optem pela decisão certa, com base em evidências clínicas e protocolos interativos, nas mais diversas etapas do atendimento – desde a triagem até a internação -, as intervenções certamente acontecem de forma mais rápida. 

A combinação “inteligência artificial e expertise médica” é um fator que igualmente rende bons frutos para descobrir padrões e também agir de forma preditiva, sempre com o objetivo de melhorar os cuidados prestados, os resultados clínicos e até mesmo a experiência do paciente; diagnosticar doenças/condições; trazer diversidade de opções de tratamento sempre centradas no paciente; ajudar a prevenir os erros causados por intervenções humanas; assumir tarefas repetitivas e administrativas que atrasam os processos, entre outras.

Soluções interativas guiam o médico por todo o diagnóstico e permitem inserir dados do paciente, sintomas, exames realizados anteriormente e resultados, entre outras variáveis, e os algoritmos dinâmicos apoiam na escolha do melhor caminho tanto na fase de diagnóstico como na de tratamento. Algumas soluções já disponíveis, inclusive no Brasil, fornecem os subsídios necessários para que os médicos possam tomar decisões apropriadas de tratamento por meio de evidências clínicas já comprovadas e, com isso, direcionar o tratamento em condições de saúde que normalmente levam à variabilidade do cuidado. Os protocolos podem ser construídos tanto no formato fluxograma/árvore de decisão ou em tópicos que descrevem mais profundamente cada uma das etapas, ambas atendendo os padrões nacionais e internacionais que garantem a qualidade do atendimento. 

As soluções e os algoritmos também ajudam a reduzir o número de exames desnecessários, evitar erro nos diagnósticos e desfechos adversos para os pacientes devido à falha na interpretação de exames, aspectos esses responsáveis também pela variabilidade do cuidado. Orientações concisas guiam para ação imediata, ou seja, não apenas para avaliação, mas também para determinar se são necessários futuros procedimentos ou medicamentos a prescrever. 

Em suma, em uma sociedade digital que come, dorme e respira os benefícios da Internet das Coisas (IoT), a Inteligência artificial torna-se cada vez mais bem-vinda na atual agenda da saúde em evolução, abrindo o caminho para a inovação, reinventando a forma como os cuidados são prestados e, potencialmente, ajudando a economizar bilhões em âmbito mundial, além é claro de minimizar os impactos da onerosa variabilidade do cuidado.

Marcelo Lancerotti é Country Manager da Wolters Kluwer Health no Brasil, líder mundial em fornecimento de informações para profissionais e estudantes da área da saúde. 

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21 de agosto de 2019 | Atualizado dia 21 de agosto de 2019


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