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Os desafios do atual modelo de remuneração dos serviços médicos

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Modelo atual de remuneração com base em procedimentos realizados estimula a quantidade, não a qualidade.

Por Editorial GesSaúde

Os conflitos de interesse entre operadoras e organizações prestadoras de serviços de Saúde pode refletir de forma direta na remuneração dos serviços médicos. A relação entre hospital e profissionais atualmente é majoritariamente pautada por plantões e remuneração de honorários por procedimentos realizados. O modelo atual torna mais desafiador garantir qualidade e segurança, já que podem existir casos em que aumentar o volume de exames e insumos gastos em um atendimento pode ser uma alternativa para gerar receita para a cadeia prestadora.

As falhas dos modelos atuais de remuneração são sentidos por todas as pontas da cadeia: operadora, hospital, médicos e, principalmente, os pacientes. A Saúde Suplementar ainda é refém do fee-for-service, que, mesmo em fase de grande questionamento, segue priorizando quantidade ao invés de qualidade. “É um modelo que tende ao fim. Precisamos de uma mudança, pois ele dificulta o trabalho do médico, inviabiliza o acesso do paciente aos serviços de Saúde, além de ter um custo muito alto para os hospitais e operadoras”, comentou o médico Rodrigo Leite, CEO da FSL Governance e especialista em gestão hospitalar.

Conforme Rodrigo Leite, essa relação com o modelo de remuneração da Saúde implica que o médico deve aumentar o volume de consultas por turno, reduzindo o tempo de cada uma delas e, consequentemente, limitando a qualidade e atenção ao paciente. “Para que o médico aumente a rentabilidade, ele se vê na obrigação de ampliar o número de consultas por turno. A anamnese pode ser prejudicada, e o paciente sente isso. As consultas são focadas em perguntas direcionadas, podendo, em alguns casos, impedir que o paciente relate detalhes que poderiam otimizar o diagnóstico.”

O hospital recebe pelo o que é produzido, assim como o médico. Medicamentos e insumos para o tratamento devem ser justificados à operadora para garantir o retorno do que foi gasto. Nesse tipo de relação, o médico, que é um profissional liberal, é induzido a focar o atendimento principalmente em produtividade. Quanto maior for o número de pacientes atendidos, exames solicitados e procedimentos expedidos, maior será o retorno financeiro tanto para o profissional quanto para o hospital. “Atualmente o mercado opera da seguinte forma: dos valores pagos pelas operadoras, uma parte é repassada ao médico. Ou seja, ele recebe um percentual do valor da consulta ou procedimento. Para que consiga rentabilizar o trabalho, ele deve aumentar o horário de atendimento ou o número de pacientes.”

Além de reduzir os intervalos entre atendimentos e a atenção efetiva na consulta, muitas vezes os médicos atuam em mais de um hospital. Para as organizações de Saúde, esse modelo impede o engajamento do profissional com a missão e valores da instituição, ao mesmo tempo que dificulta o foco completo no tratamento do paciente, além de reduzir a qualidade de vida do médico que precisa trabalhar em vários lugares diferentes.

Um dos grandes desafios da Saúde neste momento é encontrar formas de fazer a transição de modelo de uma cadeia tão complexa e sensível que traga como retorno, além do equilíbrio financeiro do sistema, um novo padrão de relacionamento entre operadora, hospital, médicos e paciente focado na qualidade do serviço, que seja mais humano e resolutivo.

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5 de fevereiro de 2019 | Atualizado dia 5 de fevereiro de 2019


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