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Saiba como lidar com a tendência de verticalização das operadoras de Saúde

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Modelo é adotado principalmente para baratear custos; hospitais independentes precisam se reiventar para sobreviver

Por Editorial GesSaúde

O movimento de verticalização de operadoras de Saúde no Brasil está em expansão nos últimos anos. Estimativas de mercado apontam que o crescimento médio de organizações desse tipo gira em torno de 15% a 20%, mesmo em meio à crise econômica, quando as organizações brasileiras perderam em torno de 3 milhões de beneficiários, conforme a Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde).

Para se ter uma ideia, na última pesquisa da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) sobre o assunto, divulgada em 2014, 40% dos planos médicos do País já ofereciam hospitais e laboratórios próprios. Apesar de antigo, o levantamento demonstra que o movimento já ganhava força por aqui no início da crise econômica.

O principal objetivo da criação de rede própria pela operadora é controlar de forma rígida os custos da assistência. Mas o fenômeno não pode se restringir a priorizar apenas economia ao invés de qualidade, além de impactar na liberdade de escolha do beneficiário, limitando-o unicamente às opções oferecidas pela operadora. A tendência de verticalização ganha força para reduzir os efeitos do modelo de remuneração por serviço praticado no Brasil, já que ele estimula um conflito de interesses: o hospital lucra com a quantidade dos serviços prestados enquanto a operadora briga para reduzir custos e diminuir as intervenções em seus beneficiários.

A verticalização também pode ocorrer de forma contrária, com a criação de planos de saúde por hospitais privados e/ou filantrópicos. Esse movimento foi maior nos anos 1970 e 1980 no Brasil, dando lugar, a partir da década de 1990, ao processo inverso protagonizado pelas operadoras. Inicialmente, por lei, somente as operadoras podiam abrir capital e receber investimentos estrangeiros. A partir de 2015 2015 a legislação nacional autorizou que estrangeiros investissem direta ou indiretamente na participação societária em prestadores de serviços de Saúde. Porém, a tendência de criação de rede própria das operadoras é a que se mantém em alta.

Independentemente da legislação, está provado que o fenômeno de verticalização continuará a crescer. Para concorrer com os custos menores desse modelo, os hospitais precisam se reinventar, aumentar a maturidade de gestão e redefinir sua oferta de valor. Cada vez mais o sistema deve se aproximar de um sistema integral de saúde, focado em evitar doenças, não apenas tratá-las.  

Com uma gestão eficiente, pautada pela definição clara de uma estratégia, com um bom sistema de governança, processos eficientes e apoiada por boas tecnologias de gestão, o hospital terá a possibilidade de responder de forma mais efetiva as transformações que estão acontecendo na Saúde e criar novas ofertas (produtos e serviços) que gerem mais valor e estejam mais alinhadas à expectativa dos clientes, a operadoras e/ou usuários dos planos de Saúde.

A verticalização das operadoras é um fato que, em determinadas regiões, pode reduzir significativamente a demanda por alguns serviços dos hospitais. Para o hospital, a solução, a partir de bons processos de gestão, é repensar o modelo, a oferta e se antecipar, criando novos serviços voltados às operadoras e aos usuários, de forma a garantir a preservação da saúde, por meio da prevenção e promoção, com custos suportáveis.

A crise pode ser uma oportunidade: depende apenas de como vamos nos posicionar. Parados, reclamando que não é justo, ou nos movimentando e entendendo que a única coisa certa no mercado nos próximos anos é a mudança. Com isso em mente, o caminho é inovar por meio da exploração das possibilidades que se criam com as novas ofertas e novos modelos.

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28 de janeiro de 2019 | Atualizado dia 8 de janeiro de 2020


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